Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 04/11/2020
Na obra ‘‘Utopia’’, escrita pelo autor Thomas More, é retratada uma sociedade utópica, na qual a população usufrui de aspectos teoricamente inalcançáveis, como a paz, a felicidade plena e a ausência de conflitos. Entretanto, o oposto é o observado no Brasil, haja vista que a violência permeia o país e, portanto, a violência no trânsito se caracteriza como uma enorme mazela social. Por conseguinte, tal mazela deriva-se de fatores como a banalização dessa problemática no país e a negligência do Estado em se comprometer com esses crimes urbanos, os quais adquirem graves consequências ao meio social, o que torna necessário que se haja mudanças nessa conjuntura.
Em primeiro plano, é imprescindível compreender como o fator comum da violência como um dos principais catalisadores da problemática. De acordo com a filósofa política Hannah Arendt, o mal se torna corriqueiro na sociedade e, consequentemente, as atitudes maléficas tendem a causar menos espanto da população, já que essas pessoas vivem o mal todos os dias. Sob tal ótica, os crimes cometidos nos tráfegos são frutos de uma não reação da sociedade perante os constantes casos de violência que ocorrem nesse meio e, assim, adquirem caráter ainda mais prejudicial.
Ademais, é fundamental pontuar a negligência do Estado como fomentadora desses problemas urbanos. Segundo o escritor e filósofo iluminista John Locke, o Estado é responsável por garantir os direitos inalienáveis ao homem, tais como a vida e a liberdade e, em razão disso, a violência no trânsito se configura como responsabilidade crucial de combate governamental. A exemplo disso, o Observatório Nacional de Segurança Viária realizou um estudo que apresenta dados de que, no Brasil, cinco pessoas são mortas a cada hora em virtude da violência no trânsito, fato que corrobora a negligência governamental em combater essas mazelas, de modo a tornar explícita a necessidade de priorização legislativa quanto ao combate a esses crimes.
Destarte, é mister que o Estado tome providências no que tange ao combate a violência no trânsito. Para isso, urge que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos crie, por meio de verbas governamentais, um projeto de educação e conscientização acerca dos crimes urbanos, principalmente no que diz respeito à violência no tráfego, em escolas e instituições privadas, para que torne o ambiente urbano mais seguro. Tal projeto deve explicitar os malefícios desse crime e seus impactos sociais engendrados, com o objetivo de garantir a segurança das pessoas e impedir a continuidade da banalização da violência no país. Só assim, ter-se-á melhor seguridade das cidades e uma aproximação ao projeto utópico elaborado pelo literato inglês Thomas More.