Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 04/11/2020
Na literatura do Romantismo Indianista, notoriamente representado por José de Alencar, o Brasil é retratado, por vezes, como um país perfeito, ideal para se viver. Entretanto, se analisarmos a situação do país, vemos que é somente herança literária, visto que a violência no trânsito ainda persiste na sociedade brasileira. Nesse cenário, dois motivos são pertinentes: as relações sociais e a negligência estatal.
Convém ressaltar, a princípio, que as relações sociais estão entre as causas dessa temática. Segundo Zygmunt Baumann e sua definição de modernidade, a relações sociais estão cada vez mais frágeis. De maneira análoga, é possível perceber que, na contemporaneidade do Brasil, as pessoas passaram a conviver, no ambiente trabalho, com exigências e obrigações, o que ocasiona impaciência, cansaço e irritação. Portanto, as frágeis relações sociais adicionada ao estresse do cotidiano e a ineficiência das leis, garantem a permanência da hostilidade no trânsito.
De acordo com Jean-Jacques Rousseau, filósofo francês, cabe ao Estado melhorar a condição do homem em sociedade, no entanto, no Brasil, tal fato não ocorre e a violência no trânsito ainda persiste. Em primeira mão, segundo o Ministério da Saúde, 21% dos acidentes nas estradas brasileiras são causadas por motoristas embriagados. Nesse contexto, verifica-se a ineficácia da “Lei Seca”, utilizada como subterfúgio para expor a falsa atividade do Estado no que tange a problemática, visto que os dados apresentados revelam outra realidade. Logo, nota-se, as imperfeições do dirigismo governamental, que peca em negligenciar a adversidade.
Urge, portanto, que o Governo aumente os investimentos voltados à educação, instituindo cursos e palestras sobre a importância da paciência e coletividade no trânsito em todos os níveis escolares, para minimizar os efeitos da ‘irritabilidade social". Ademais, cabe ao Congresso, a criação de novas leis e otimização das existentes, para que em conjunto, essas leis certifiquem a redução das inconveniências do trânsito. Assim, o brasileiro poderá sonhar em viver como na literatura indianista.