Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 02/04/2021

Segundo a primeira lei de Newton, conhecida como “Princípio da Inércia”, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é perceptível a mesma condição , no que concerne à violência no trânsito no Brasil, a qual segue sem uma “força” capaz de mitigá-la. Nesse sentido, fatores como a falta de uma infraestrutura de qualidade e a imprudência dos motoristas colaboram para o aumento das taxas de acidentes nas vias do país. Dessa forma, é essencial a discussão sobre as causas e consequências dessa problemática no país, em nome da segurança dos cidadãos.

Em primeira análise, vale ressaltar o efeito prejudicial das vias públicas precárias como um catalisador dos acidentes de trânsito. Nesse contexto, o psicanalista Antonio Quinet, em seu livro “Um olhar a mais”, defende que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Sob essa ótica, observa-se que a infraestrutura precária das ruas e estradas do país reflete um olhar negligente do governo, haja vista a falta de iluminação e sinalização de qualidade das ruas e a ausência de ciclovias, fatores capazes de tornar o trânsito letal, não só para motoristas, mas, também, para pedestres e ciclistas. Assim, em razão da má situação da infraestrutura urbana, são necessárias sucessivas manutenções, as quais demandam gastos governamentais, passíveis de serem evitados.

Outrossim, é fato que a irresponsabilidade de condutores está atrelada ao aumento de acidentes automobilísticos. Nessa perspectiva, de acordo com o filósofo John Locke, em sua teoria da “Tabula Rasa”, o ser humano é uma folha em branco a ser preenchida por experiências ao longo da vida. Analogamente, muitos brasileiros são uma “folha em branco”, em relação à direção consciente, na medida em que a ingestão de bebidas alcoólicas ao dirigir, proibida por lei, aliada ao uso de celulares durante o trânsito, altera o foco do motorista da rua e arredores e afeta a interpretação do ambiente. Posto isso, eleva-se o número de mortes por acidentes, além da quantidade de vítimas com sequelas físicas - como perda de membros ou paralisia - e sequelas emocionais - como traumas e síndrome do pânico - de acordo com o médico Drauzio Varella.

Depreende-se portanto, que, fatores como a falta de infraestrutura de qualidade e a imprudência dos motoristas colaboram para o aumento nas taxas de violência nas vias do país. Logo, é basilar que o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) promova seminários, por meio de palestras em locais públicos e em redes sociais, sobre a imprescindibilidade de uma direção consciente e segura, com o intuito de garantir o comportamento adequado nas rodovias e estradas brasileiras. Assim, essas ações poderão ser uma “força” capaz de mitigar a viol~encia no trânsito.