Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 10/11/2020
Trânsito de obstáculos
É incontestável que a chegada de automóveis no Brasil, em 1920 favoreceu o desempenho econômico brasileiro, através do advento da indústria automotiva e, posteriormente, ao fácil acesso de bens e serviços desse setor. Entretanto é perceptível que, contemporaneamente, a violência no trânsito tem-se intensificado, visto que não está vinculado tão somente à inabilidade de motoristas, mas também à ineficácia do poder público na aplicação das leis.
Em primeira análise, cabe pontuar que a falta de atenção à formação de motoristas e pedestres suscita em uma série de falhas refletidas de maneira expressiva nas relações no trânsito. Comportamentos como utilizar o celular ao volante para ler, ouvir ou escrever mensagens e dirigir alcoolizado, paralelo a fatores externos como deficiência na infraestrutura de vias e sinalização inadequada, acarretam a acidentes rodoviários muitas vezes irreversíveis. Segundo a ONU os jovens são os mais atingidos por esse tipo de violência, em razão do estilo de vida e por inclinarem-se a burlar as regras com maior frequência. Dessa maneira, evidencia-se a necessidade da mudança de conduta desses integrantes por meio de uma reeducação no trânsito.
Outrossim, é irrefutável a ineficiência das autoridades na resolução deste problema, tendo em vista que ele persiste no contexto atual. De acordo com o livro O cidadão de papel de Gilberto Dimenstein, o autor defende a existência de leis eficientes apenas na teoria, abordando aspectos conectados à violência nas grandes cidades, bem como direitos e cidadania no século XXI. Nesse viés, nota-se a inércia de mecanismos públicos na aplicação e implementação mais efetiva das leis de trânsito, já que o artigo 6 da Constituição Federal assegura que são direitos sociais, a educação e a segurança. A implementação da Lei Seca, em 2008, proporcionou baixa nos índices de acidente em vias terrestres, porém não o suficiente, haja visto o exponencial crescimento do número de automóveis, que por conseguinte causa desproporção em serviços e recursos no setor rodoviário, retratadas desde a escassez de ciclovias, falhas de sinalização e precariedade de estradas.
Registra-se, portanto, a persistência de entraves no combate à violência no trânsito no Brasil. Diante disso cabe ao Ministério das Cidades , na figura dos conselhos nacionais e estaduais e seus respectivos departamentos, em combinação com o Ministério da Educação promover políticas de educação no trânsito em escolas, reiterando-a na grade comum curricular, por meio de palestras, aulas práticas de simulação de comportamentos infratores e suas consequências; Além de reciclagens periódicas de testes psicotécnicos na atualização de CNHs, no intuito de minimizar incidentes.