Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 10/11/2020
A música infantil “Amor no trânsito” alerta sobre a importância de seguir as leis e ter uma preocupação com a vida do outro, para a criação de um ambiente seguro para motoristas e pedestres. Tendo em vista a relevância de um cenário seguro no trânsito, é preciso debater a violência existente nesse ambiente no Brasil. Assim, é necessário problematizar a violência no trânsito, levantando como causa o individualismo e a não obediência as leis, questionando a falta de consciência cidadã brasileira, bem como abordando o “jeitinho brasileiro” como motivador de tal comportamento.
Diante do questionamento inicial, é preciso esclarecer que não há um programa efetivo voltado para educação cidadã nas escolas brasileiras. Inclusive, observa-se com nitidez que essa configuração colabora para que o indivíduo não desenvolva uma percepção de como suas ações impactam outros, pois, ao lançar o olhar sobre a realidade, percebe-se que o brasileiro tende a colocar suas necessidades individuais a frente de seus deveres coletivos. Nesse contexto, tendo em vista que, segundo Herbert Dimenstein, cidadão é aquela pessoa que tem consciência de seus direitos e deveres e age de acordo com esses, pode-se afirmar que a sociedade brasileira não é formada por cidadãos. Dessa forma, compreende-se que a falta de cidadania leva a uma conduta violenta no trânsito, uma vez que propicia um cenário de quebra das leis vigentes em tal espaço.
Ainda nessa linha de pensamento, outro ponto relevante é abordar como o “jeitinho brasileiro” agrava o cenário de violência no trânsito, em virtude do seu caráter individualista e do fato desse estar ligado ao contorno de normas. Aliás, não se pode negar que tal comportamento é marcado pelo descumprimento de regras sociais com o objetivo de facilitar a vida do praticante. Nessa conjuntura, ganha-se voz o pensamento de Durkheim, de que o homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela. Dessa forma, compreende-se que o comportamento de transgressão marca todas as gerações, afinal, a sociedade brasileira tende a banalizar as leis.
Diante desse cenário, constata-se a necessidade de reverter o quadro atual no que tange a problemática discutida. Deste modo, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas diretrizes educacionais a nível federal, formar jovens que possuam uma consciência cidadã, a partir da inserção de aulas que os ensinem acerca de seus direitos e deveres, além de destacarem a importância de respeitar as leis, na grade curricular obrigatória. Tal ação tem como objetivo formar uma geração que não banalize as regras sociais e que não possua um comportamento disruptivo e violento no trânsito. Busca-se, assim, que o pensamento expresso na música “Amor no trânsito” se torne algo existente no consciente da população brasileira.