Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 10/11/2020

O Brasil registra um crescente índice de violência e, dentre tantas categorias, o trânsito é um dos maiores responsáveis por esse crescimento. Logo, diante dessa infeliz realidade o conceito do “homem cordial”, elaborado ainda no século XX pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, ajuda a compreendê-la, pois aponta o brasileiro como um valorizador da emoção em detrimento da razão. Nesse contexto, a imprudência dos motoristas e pedestres, como consequência desse caráter, e a falta de mobilização dos órgãos públicos contribuem para a ascensão desses números.

A princípio, conforme estudos realizados pelo Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), são constatadas, no Brasil, em média, 150 mortes por dia, o que coloca o país como um dos mais violentos no trânsito no mundo. Ademais, segundo a Guarda Municipal de Itapetininga (SP), 90% dos acidentes são ocasionados pela inconsequência de pedestres e motoristas, fato que corrobora a ideia da “cordialidade” do brasileiro, uma vez que muitos casos ocorrem por ignorarem medidas, como o cinto de segurança, e normas, como respeitar o sinal vermelho.

Paralelo a isso, de acordo com análise do Observatório o Brasil tem 234 mortes por 100 mil veículos, dado que supera as 129 mortes por violência pública por 100 mil habitantes e indica a gravidade dos problemas no trânsito. Porém, mesmo diante desses números, os órgãos públicos, que são capazes até de verificar os estados que superam essas médias, não operam de maneira satisfatória e por vezes negligenciam políticas eficazes em relação a essa questão, ao passo que os registros de mortes e acidentes aumentam ano a ano.

Portanto, diante da responsabilidade tanto dos brasileiros quanto do próprio governo sobre a violência no trânsito, é imperativo que a população desenvolva consciência e prudência ativamente, ao procurar informar-se e reeducar-se, para evitar erros que podem ceifar vidas. Além disso, o Estado, por intermédio dos Ministérios e demais órgãos, reformule suas políticas de segurança e intervenção no trânsito, ao formar policiais devidamente instruídos nessas questões e regulações focadas na gravidade das realidades de diferentes estados, com o intuito de garantir os direitos e a vida dos cidadãos de todo o país.