Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 10/11/2020

Na literatura do Romantismo Indianista, notoriamente representada por José de Alencar, o Brasil é retratado, por vezes, como um país perfeito, ideal para se viver. Entretanto, ao analisar a situação do país, observa-se que é somente herança literária, visto que a violência no trânsito ainda perdura na sociedade brasileira. Nesse contexto, dois motivos são pertinentes: as relações sociais e a negligência estatal.

Convém ressaltar, a princípio, que as relações sociais estão entre as causas dessa problemática. Segundo Zygmunt Baumann e sua definição de modernidade, as relações sociais estão cada vez mais frágeis. De maneira análoga, é possível perceber que, na contemporaneidade do Brasil, as pessoas passaram a conviver em ambientes trabalhistas com excesso de exigências e obrigações, o que ocasiona impaciência, cansaço e irritação.

Em segunda análise, de acordo com Rousseau, filósofo francês, cabe ao Estado melhorar a condição do homem na sociedade, no entanto, tal fato não ocorre e a brutalidade no trânsito persiste entre os brasileiros. Em primeira mão, conforme o Ministério da Saúde, 21% dos acidentes nas estradas brasileiras são causados por embriaguez. Nesse contexto, verifica-se a ineficácia da “Lei Seca”, utilizada com subterfúgio para expor a falsa atividade do Governo no que tange à problemática, visto que os dados apresentados revelam outra realidade. Logo, as frágeis relações sociais, adicionadas ao estresse do cotidiano e a ineficiência das leis, garantem a permanência da violência no trânsito.

Urge, portanto, que Governo aumente os investimentos voltados à educação, instituindo cursos e palestras sobre a importância da paciência e coletividade no trânsito em todos os níveis escolares, a fim de minimizar os efeitos da “irritabilidade social”. Ademais, cabe ao Congresso, a utilização de países referências em prol da criação de uma comissão especializada, para otimização das leis existentes em consonância com a disponibilidade de mais agentes de trânsito, assim, a redução do problema será possível.