Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 18/11/2020

“Não serei o poeta de um mundo caduco. / Também não cantarei o mundo futuro.” Esses versos do poeta Carlos Drummond de Andrade estimulam a reflexão sobre as ações humanas, frente as debilidades do mundo. Ao considerar o percurso poético, como ponto de partida, para a discussão a respeito da violência no trânsito no Brasil, notam-se os riscos da imprudência para a sociedade. Nessa lógica, é imperativo analisar a falta de conscientização, bem como discutir acerca da responsabilidade coletiva.

A partir dessa proposição inicial, é preciso esclarecer que uma parcela da população não é plenamente educada sobre os perigos do trânsito, suas medidas de segurança e de convivência, apresentando assim conduta imprudente no tráfego. Aliás, pode-se afirmar também que inclusive indivíduos instruídos exibem postura negligente no trânsito. Nessa perspectiva, há uma questão relacionada ao comportamento humano no comando de veículos que exige dos atores sociais esclarecimento, pois como alerta Theodor Adorno, quando não existe conhecimento, submete-se a perda de liberdade. Isso significa que, com relação ao tópico, a consciência das ameaças do descuido no volante é essencial para a diminuição da violência no trânsito no Brasil.

Ainda nessa linha de raciocínio, não há dúvidas da importância da responsabilidade coletiva para a sociedade. Isto é posto, visto que os cidadãos devem se comportar de forma que beneficie não somente o seu próprio bem-estar, como o da população em geral. Entretanto, algumas pessoas carecem deste atributo, sendo irresponsáveis no trânsito. Nesse sentido, percebe-se que, como advoga Norbert Elias, a individualização, marca da sociedade moderna, conduz a um descaso para com a harmonia social, justamente porque indivíduos priorizam seus interesses e confortos particulares à segurança pública, estando assim desatentos as possíveis consequências à comunidade. Dessa forma, torna-se pontual fortalecer o pensamento de unidade social, ressaltando o comprometimento com o coletivo.

Em síntese, são necessárias medidas para diminuir a violência no trânsito no Brasil. Desse modo, o Ministério da Educação deve conscientizar acerca das atitudes de proteção no tráfego, por meio de aulas esporádicas nas escolas, visando aumentar a cautela da população em relação aos veículos. Ademais, compete ao mesmo ministério, junto das famílias, estimular a responsabilidade coletiva, a partir de teatros educativos nas escolas e diálogos no âmbito familiar, visando reduzir a individualização. Feitas essas ações, espera-se considerar uma mudança no cenário.