Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 11/11/2020
Em sua contundente obra, “Fé em Deus e Pé na Tábua”, Roberto da Matta tece um perfil do trânsito brasileiro, apontando para a prevalência de relações de poder que precarizam a cidadania. Segundo o autor, a deficiência na construção de valores solidários conduz a uma conjuntura de violência entre motoristas e pedestres. Assim, cabe verificar o papel das instituições de ensino na construção dessa degradante conjuntura, bem como inquirir a negligência do governo ante a fiscalização e a remediação desta.
Inicialmente, observa-se que a maior parte dos acidentes envolvendo veículos ocorre por imprudência, a exemplo da recusa em utilizar o cinto, da insistência em desrespeitar o limite de velocidade e o sinal vermelho e da falta de preocupação em dirigir alcoolizado ou usando o celular. Em todos os casos, compreende-se que a ocorrência de acidentes poderia ser evitada com a potencialização de uma consciência voltada para o bem-estar coletivo. É lógico concluir, a partir disso, que a Escola, como pilar da socialização e da edificação ética, é um fator central para solucionar a questão.
Outro aspecto a ser considerado é a ineficácia estatal no mapeamento e na punição dos infratores, o que gera um sentimento de impunidade e perpetua essa barbárie. Nesse sentido conforme alerta o sociólogo Max Weber, em “Política como Vocação”, o Estado, como único detentor do uso da força para assegurar a ordem, tem não só o poder, mas o dever de equilibrar a vida social. Contudo, a falta de estratégias e de recursos materiais adequados a prevenção e ao combate da violência no trânsito contraria o ideal weberiano e intensifica o problema.
Tendo em vista todo o panorama apresentado, urgem medidas que transformem esse cenário. Para tanto, é dever do Ministério da Educação criar uma disciplina regular que tematize a convivência entre pessoas e automóveis, durante todo o Ensino Médio, por meio de aulas direcionadas, de feiras culturais e de projetos protagonizados pelos alunos, a fim de incentivar bons comportamentos no tráfego urbano. Ao Ministério do Desenvolvimento Regional, em parceria com as polícias municipais, compete desenvolver sistemas de segurança integrada, mediante investimentos em equipes e em equipamentos especializados, com o fito de melhorar a fiscalização. Feito isso, o Brasil fugirá do exposto por da Matta, pautando-se em harmonia.