Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 18/11/2020

O pensador Sigmund Freud, em seu texto “O futuro de uma ilusão”, alerta os leitores para o fato de que quanto menos um indivíduo conhece a respeito do passado e do presente, mais inseguro será com relação ao futuro. Ao estabelecer esse olhar psicanalítico como ponto de partida, para fundamentar a discussão acerca da violência no trânsito, torna-se pontual compreender o atual cenário brasileiro. Assim, pode-se questionar a falta de educação e de consciência das pessoas no trânsito, bem como analisar a imprudência e o descaso com a vítima desse tipo de acidente.

A partir dessa proposição inicial, é preciso esclarecer que grande parte das mortes no trânsito é causada pela falta de consciência dos motoristas, em razão das suas educações insuficientes. Inclusive, observa-se que não há quase nenhuma conscientização nas escolas sobre isso, o que faz as crianças crescerem tendo certas atitudes, como não usar o cinto de segurança, vistas como normais e inofensivas, pois elas vêem seus pais e conhecidos as praticando diariamente. Nesse sentido, não há dúvidas de que, como atesta Freud, o conhecimento determina o comportamento dos indivíduos. Isso significa que, com relação às atitudes no trânsito, se a população não receber intensa educação (principalmente na adolescência e juventude), os índices elevados de mortes em acidentes de motos e de carros não diminuirão por conta da ignorância.

Ainda nesse contexto, não se pode esquecer da imprudência dos motoristas com a vítima, até porque eles têm a mentalidade de que um acidente não acontecerá com eles. Aliás, fica claro que a violência no trânsito inclui “pequenos erros”, como não sinalizar com a seta ou ultrapassar o sinal vermelho, visto que tais ações podem resultar em mortes trágicas. Nessa perspectiva, acentua-se o mal irreparável causado na família da vítima e como ele deve ser evitado, uma vez que, como alerta o filósofo Luc Ferry, virtude e ação desinteressada são inseparáveis. Em outras palavras, é preciso pensar na prática do bem comum, na medida em que o descaso com os prejudicados gera uma continuidade da violência no trânsito e nos acidentes que podem ser evitados.

É preciso, portanto, promover ações que realmente possam alterar esse quadro. Logo, é imprescindível que o Ministério da Educação amplie seus programas de ensino do comportamento no trânsito. Isso ocorrerá por meio da criação de palestras periódicas nas escolas públicas e privadas , mediada por profissionais da área, sobre atitudes comuns que devem ser combatidas e direitos que os pedestres e os motoristas têm, com o objetivo de mudar a mentalidade dos alunos para que eles entendam que ações violentas no trânsito podem resultar em acidentes mortais. Com isso, acredita-se que a violência no trânsito diminua significantemente, ao seguir o proposto por Freud.