Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 17/11/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo o direito a vida, segurança e igualdade. Entretanto, na conjuntura hodierna brasileira, debates acerca da violência no trânsito são recorrentes, uma vez que problemáticas como a tolerância social somada à negligência governamental instigam as discussões, o que exige reflexão urgente.
Deve-se destacar, de início, a tolerância social como um dos complicadores do problema. Nesse sentido, o conceito de “banalidade do mal”, desenvolvido pela socióloga Hannah Arendt , diz que a violência, quando muito comum, passa a ser percebida pela sociedade como algo “normal” ou “aceitável”. Dessa forma, os periódicos abusos e imprudências nas vias não causam o espanto que deveriam nos indivíduos ali inseridos e, consequentemente dificulta a mitigação dessa mazela, pois impede o sentimento de necessidade de mudança.
Outrossim, vale salientar que a situação é corroborada pela falta de investimento governamental. Sob esse viés, o processo de “urbanização” no Brasil, com a expansão das indústrias e de maiores ofertas de trabalho gerando aumento populacional foi significativo nos centros urbanos, mas foi uma urbanização tardia, rápida e desordenada que resultou consequências negativas para o país até os dias atuais. Desse modo, a falta de investimentos em infraestruturas no tráfego gera acidentes de trânsito, que podem levar o cidadão a ficar com sequelas graves e/ou permanentes, podendo inclusive levá-lo a óbito como já se tem registrado as estatísticas dos Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), sendo 150 mortes por dia em todo o país.
Portanto, medidas tornam-se necessárias para resolver o impasse. Urge que o Detran invista em critérios de conscientização. Por isso, ele deve divulgar campanhas, por meio das redes sociais, que mostrem depoimentos de vítimas de violência no trânsito de maneira que comova a população sobre os fatos. Diante disso, o assunto poderá ser menos banalizado e despertar nas pessoas o desejo de mudar, o que quebrará o ciclo vicioso que antes impedia a eficiência das ações de combate. Ademais, cabe as Prefeituras destinar mais verbas para investir no trânsito, como nas ruas e sinalizações, por meio do Plano Plurianual visando a equalização dos direitos de todos os cidadãos de possuir um tráfego adequado, com o objetivo de que as consequências negativas da “Urbanização” sejam minimizadas. Espera-se, com essa medida, que a violência no trânsito seja freada em todo o território nacional, garantindo, assim, o que é exigido constitucionalmente.