Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 18/11/2020
Rubem Fonseca, um escritor dos anos setenta que contribuiu muito para a riqueza da literatura brasileira, em um de seus contos mais famosos, ‘‘Passeio Noturno’’, conta a história de um homem da elite que matava pessoas com seu carro para diminuir o estresse. Apesar de a maioria das pessoas concordarem que isso é repugnante, muitas delas, quando não tomam os devidos cuidados no trânsito, estão se dispondo a serem tão assassinas quanto o protagonista da história. Sabendo disso, é importante destacar que a violência no trânsito -que não está necessariamente ligada à briga, mas sim a qualquer tipo de ameaça à vida durante o tráfego de veículos- é uma consequência não só da má conscientização dos motoristas, como também da falta de infraestrutura das rodovias.
Primeiramente, é válido ressaltar que a escassez de cautela no trânsito faz com que os números de ‘‘acidentes’’ nesse local se elevem. Nesse sentido, segundo John Rawls não se pode esperar a colaboração de todos, se os direitos básicos não forem fornecido com equidade, isto é, esperar que um indivíduo que tenha dificuldade para alimentar sua família ou para pagar um aluguel minimamente confortável tenha consciência no trânsito, como motorista ou pedestre, é totalmente incoerente. Com isso, fica nítido que o alto índice de acidentes, no qual, segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o quinto país mais violento no trânsito, está relacionado a problemas sociais.
Paralelamente, pode-se dizer que a péssima infraestrutura das cidades também favorece as elevadas taxas de acidentes. Nesse contexto, o êxodo rural da últimas décadas, que foi a migração de um grande contingente de pessoas do campo para os centros urbanos, dificultou a adaptação das cidades em diversos setores. Portanto, as ruas apertadas, a má sinalização, a carência de ciclovias são, em partes, uma sequela desse gigantesco processo migratório interno, no entanto não se pode desconsiderar a má gestão dos governantes, que não conseguiram minimizar esse cenário.
Em virtude dos fatos mencionado, fica claro que a violência no trânsito no Brasil é fruto de questões sociais enfrentadas pelo país e também do péssimo direcionamento realizado pelos políticos, que não conseguiram diminuir o impacto do êxodo rural. Sendo assim, é necessário que a população, por meio do artigo 61° da Constituição Federal, crie uma lei de iniciativa popular que será publicada na internet -para obter a assinatura de um porcento da população brasileira- e enviada para o Congresso. Essa lei exigirá que o governo pague quatrocentos reais por ano para todas as pessoas que não possuírem nenhuma multa e que ganham menos de dois salários mínimos e meio para incentivar a consciência durante o trânsito e até mesmo minimizar problemas sociais. Assim, os números de ‘‘passeios noturnos’’ poderão ser cada vez menores.