Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 19/11/2020

Em sua obra “Utopia”, Thomas More discorre sobre uma sociedade ideal e os meios para alcançá-la, dentre eles, a nulidade dos índices de violência. Decerto, a ficção do filósofo inglês vai de encontro a realidade do trânsito brasileiro, conhecido pela sua violência extrema, fruto do desrespeito aos diferentes meios de transporte e a infraestrutura precária de muitas cidades, fatores preocupantes e cuja resolução deve ser imediata.

Em primeira análise, pontua-se sobre a diversidade que constitui o trânsito de qualquer cidade no mundo, e o comportamento do cidadão brasileiro acerca desse elemento. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, o CTB, compõem o modal rodoviário as bicicletas, as motocicletas, os pedestres, os automóveis, os caminhões, entre outros. Entretanto, com a substituição de importações proposta por Juscelino Kubistchek e a instalação de montadoras de carro no país no período pré-ditadura, a quantidade dos automóveis de passeio tornou-se mais expressiva na rede de transportes do que qualquer um dos anteriormente citados. Por tal motivo, muitos motoristas enxergam o trânsito de forma afunilada, restrito aos carros, e ignoram regras e leis que protegem outros tipos de transporte, chegando a desrespeitá-los, ao estacionar em calçadas, desrespeitar a distância mínima de ciclistas, as preferências das motos e etc. Portanto, evidencia-se uma sociedade que padronizou informalmente o automóvel de passeio e, por conta disso, comete injustiças com outros meios.

Além disso, muitas cidades brasileiras não foram projetadas para lidar com automóveis, haja visto que na época de suas construções estes sequer existiam, resultando em uma infraestrutura precária, feita às pressas e que não respeita a diversidade exposta anteriormente. Em São Paulo, o ex-prefeito Fernando Haddad, percebendo o descaso da cidade por ciclistas e pedestres, com passeios públicos precários e falta de faixas exclusivas, expandiu a malha de ciclovias na capital, retirando o utilizador das bicicletas do meio da rua, e o colocando em uma área reservada. Entretanto, essa não é a realidade de várias cidades, que precisam conviver com estruturas impensadas, que aumentam o nível de estresse de seus utilizadores. Sendo assim, é possível observar zonas urbanas despreparadas para a diversidade do trânsito e que, assim, facilitam acidentes e discussões no trânsito brasileiro.

Em suma, observa-se que o desrespeito e a infraestrutura são os grandes causadores da violência no trânsito. Em vista disso, o ministério da infraestrutura, órgão responsável pela organização estrutural do país, deve promover campanhas de conscientização por meio de palestras on-line e presenciais, voltadas aos motoristas, além de estabelecer metas às cidades para construção e preservação de estruturas de transporte, para que, então, a realidade de More torne-se a realidade do Brasil.