Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 20/11/2020
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não transmitiu o legado da nossa miséria a ninguém. Hodiernamente, talvez ele percebesse acertada sua decisão, já que ainda existe a permanência da violência no trânsito do Brasil. Essa problemática encontra-se em vigor ora devido à imprudência dos motoristas e pedestres, ora pela ausência de qualificação do condutor para dirigir.
Outrossim, é indubitável que a presença dos motoristas imprudentes esteja entre as causas do problema. Na obra “Utopia”, do escritor britânico Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, em que não há conflitos. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a violência acarretada pelo tráfego de automóveis rompe esse equilíbrio; haja vista que dirigir imprudentemente é a maior causa dos acidentes. Segundo o IBGE, são mais de 200 mortes por 100 mil veículos, logo se o Governo se omite diante de tal dado, entende-se o motivo da sua perpetuação.
De acordo com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a continuidade do trânsito violento se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que o indivíduo não precisa passar por testes de personalidade para obter sua habilitação e assim, colocar em risco a vida dele e de todos em seu redor. O equilíbrio mental da pessoa deveria ser essencial no processo de tirar sua carteira, igual como é para se obter porte de arma; ademais, nem todas pessoas são qualificadas à dirigir carro. Assim, hão de ser analisados tais fatores para a liquidação dessa problemática.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a brutalidade do tráfego de veículos no Brasil. Para tanto, cabe ao Sistema Nacional de Trânsito e ao Departamento Estadual de Trânsito - que tem por função social fiscalizar e fazer cumprir as leis de trâsito – exigir, na formação de novos condutores, avaliações mentais de aptidão do cidadão para poder dirigir. Tal ação deverá ser feita por meio de consultas em psicólogos com convênio do DETRAN. Espera-se que com isso, a violência na circulação dos carros, motos e pedestres atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto desse obstáculo e a coletividade alcançará o ideário da “Utopia” de More.