Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 20/11/2020

A violência, segundo o sociólogo Émile Durkheim, é classificada como um Fato Social normal, isto é, algo que sempre esteve presente na sociedade e sempre estará. Porém, ao juntar esse Fato Social com o principal modelo de transporte usado no Brasil, o Rodoviário, descobre-se uma situação ainda mais delicada do que a convencional, vide que qualquer distração no trânsito pode causar acidentes graves e ocasionalmente mortes. Dessarte, urge-se por medidas mitigadoras relativas a esse problema, dado que dezenas de milhares de pessoas morrem todos os anos em terras tupiniquins, por conta de acidentes no trânsito, muitos dos quais são ocasionados por brigas e discussões em meio as estradas.

Em um primeiro plano, ao utilizar-se da teoria do filósofo Michel Focault, a Microfísica do Poder, na qual o autor explica que o ser humano tem uma tendência a buscar sempre a superioridade em relação ao outro, pode-se compreender a razão das brigas de trânsito serem tão recorrentes e irracionais. Isso que por sua vez, acaba por refletir em um enorme número de mortes no trânsito, seja por distrações causadas pelas discussões - as quais podem resultar em batidas e atropelamentos, por exemplo- ou por excesso de violência física. Nesse sentido, torna-se evidente a necessidade de uma melhor formação psicológica dos motoristas, dado o fato de que muitas brigas e acidentes poderiam ser facilmente evitados com um autocontrole maior por parte dos motoristas, no que tange a necessidade de se sentir superior em relação ao outro.

Noutro plano, embasando-se na tese da Banalidade do Mal, da filósofa Hannah Arendt, na qual é explicado que quando algo ruim torna-se recorrente na sociedade, as pessoas deixam de ver aquilo como algo grave e passam a considerar algo banal, analisa-se a falta de empenho em solucionar o problema das violência no trânsito. Nesse seguimento, devido ao aumento do volume de veículos em trânsito com o passar do tempo e consequentemente de número de acidentes e brigas nesse meio, as pessoas acabaram banalizando a discussão sobre tal assunto, deixando que os índices de mortes no trânsito aumentassem. Logo, faz-se necessária a retomada da discussão sobre tal assunto, de maneira incisiva que vise redução da grande quantidade de vidas perdidas nas rodovias brasileiras.

Portanto, torna-se inadiável a busca por medidas que amenizem esse caótico cenário das pistas nacionais. Assim sendo cabe ao Estado, por meio de um projeto encabeçado pelo Ministério da Segurança Pública, no qual autoescolas dariam aulas, sobre como se portar em uma situação que está se encaminhando para uma discussão no trânsito, a fim de que os novos motoristas evitem essas situações e mantenham a calma caso elas ocorram, além de convidar aqueles que já dirigem a assistir as aulas e não reincidirem. O que por sua vez, ajudaria a limpar o sangue que suja as vias tupiniquins.