Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 20/11/2020
Para o sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade é integrada e organizada como um organismo, de tal forma que as estruturas sociais funcionam de maneira interdependente entre si, ao passo que a falha em algum setor resulta em um estado de anomia. Nesse sentido, percebe-se que o comportamento dos brasileiros no trânsito pode ser associado a essa lógica teórica, uma vez que é decorrente de erros institucionais, os quais favorecem o surgimento de diversas mazelas sociais, como violência, acidentes e mortes no tráfego. Essa situação é ocasionada devido não só ao sistema educacional, mas também à negligência estatal em tratar da questão.
Nesse contexto, vale ressaltar que a falha do sistema educacional em não formar indivíduos com valores morais e pensantes é responsável pelo mau comportamento dos brasileiros no trânsito, posto que, segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem não é nada além do que a educação faz dele. Como consequência, observa-se que o descumprimento das normas de proteção por parte dos cidadãos, ao não usarem corretamente os equipamentos de proteção, como cintos e capacetes, ao não respeitarem as faixas de pedestres, ao fazerem ultrapassagem, dentre outros motivos, contribuem com o aumento dos acidentes no tráfego. Dessa forma, nota-se que as atitudes das pessoas no trânsito resultam em um estado de anomia, como o proposto por Dukheim.
Além disso, a ineficiência das políticas públicas corrobora para não haver mudanças significativas no tráfego brasileiro. Diante disso, verifica-se que, embora o Código de Trânsito Brasileiro assegure, por meio de artigos, o direito à segurança a todos os cidadãos, percebe-se que isso não é exercido na prática, visto que cerca de 20 mil pessoas morrem anualmente devido à violência e/ou acidentes no tráfego- de acordo com dados do Centro de Pesquisa e Economia. Tal conjuntura, consoante às ideias Contratualistas do filósofo J.J. Rousseau, configura-se uma violação do Contrato Social, já que o Estado não tem cumprido efetivamente sua função de garantir o equilíbrio e o bem-estar coletivo.
Torna-se necessária, portanto, a adoção de medidas que visem mudar o comportamento dos brasileiros no tráfego. Para isso, o Estado deve, em primeiro plano, garantir o previsto no Código de Trânsito, através de fiscalização da lei pelos agentes reguladores, como a Polícia Rodoviária Federal e, em segundo plano, deve, ainda, em parceria com o MEC, implementar, nas escolas, palestras elucidativas e depoimentos de pessoas envolvidas com o tema, como os profissionais de segurança, no intuito de mostrar as consequências dos descumprimentos das regras de trânsito aos indivíduos, a fim de formar cidadãos complacentes com o direito à segurança pública. Desse modo, o cenário de anomia poderá ser minimizado.