Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 25/11/2020
Conforme os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Governo Federal, o Brasil é o país que mais mata no mundo. As causas de tal fato são complexas e irradiam para várias áreas, sobretudo no trânsito, o qual apresenta números alarmantes sobre a incidência de práticas perniciosas , o que exprime a fragilidade da segurança pública instaurada no país. Assim, é possível afirmar que não só a constância da presença personificada da violência no cotidiano, mas também a projeção de crescimento exponencial das cidades e da frota automotiva fomentam o status quo contemporâneo: o risco que o tráfego de veículos esconde.
Inicialmente, é necessário ressaltar que, no Brasil, um país em desenvolvimento com altas taxas de segregação social no ambiente urbano, formas de opressão acompanham o dia a dia de grande parte da população. Com isso, de acordo com a filósofa americana Hannah Arendt, em seu conceito de “banalização do mal”, a reiteração de ações maldosas traz consigo uma futura resignação. Portanto, num país que está habituado com a violência em diversos campos sociais, é compreensível que se acostume com ela e a repita como algo normal, inerente ao próprio indivíduo.
Ademais, as rápidas transformações citatinas trazem consigo novas formas de estresse, esgotamento físico e mental. A priori, para se ter uma ideia, o geógrafo Milton Santos define o crescimento urbano brasileiro como um dos mais intensos do século XXI e que, inevitavelmente, foi acompanhado com a circulação de automóveis em aclive. A partir dessa perspectiva, o rápido incremento das cidades é sinônimo de falta de tempo para planejamento e consequente dificuldade de mobilidade — um dos principais motivos do estresse e incipiente causa de ações violentas.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com empresas de cunho humanitário, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas que discorram sobre o impacto das ações individuais e seu inevitável reflexo nos outros setores da sociedade. Além disso, cabe também ao Estado aprimorar o fluxo veicular por meio de rodízios de placas e incentivo ao uso de transportes públicos para uma fluidez mais agradável ao homem. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria significativa no padrão da violência não só no trânsito, mas no país como um todo.