Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 27/11/2020
O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), por meio do Estatuto da Cidade, estabelece princípios para a infraestrutura e deveres sociais, como o respeito à legislação, em prol da logística das urbes. No entanto, é indubitável que tal proposta é deturpada, tendo em vista a violência no trânsito no Brasil. Esse cenário nefasto revela um problema grave corroborado não só por um distorcido legado histórico, mas também pela manutenção de uma mentalidade nociva para a sociedade.
Nesse sentido, é importante destacar que o descaso estatal com o planejamento não é recente, mas tramita pela negligencia para com o combate de assimetrias. Nessa perspectiva, durante a Belle Époque, período de desenvolvimento brasileiro, a urbanização foi marcada por disparidades pela supervalorização dos centros econômicos sudestinos, em detrimento das demais regiões. Sob essa óptica, é inquestionável que, devido a uma formação excludente, e à persistência de um sistema defaso, o diminuto acesso a um fluxo qualitativo, principalmente, em áreas menosprezadas — já que segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a taxa de mortes em vias em Alagoas corresponde a mais do que o dobro da média nacional — revela os resquícios deletérios desse período de “progresso”, que fomenta tragédias como a violência em Alagoas.
Ademais, é necessário ressaltar que, a partir da nociva repercussão de ações antiéticas, direções agressivas tornam-se recorrentes. Nesse viés, a partir do conceito de “Banalidade do Mal”, a filósofa Hannah Arendt atesta que, pela repetição, atitudes corrompidas tornam-se comuns e triviais. Analogamente, em um contexto em que a infraestrutura logística não é plena e a fiscalização é deficitária, devido a um processo histórico de marginalização (evidente na Belle Époque), pela noção de impunidade, o constante desrespeito às normas de circulação contribui para a formação de costumes que permitem a difusão de uma visão de aparente normalidade no descumprimento da legislação. Portanto, é incontrovertível que a manutenção de uma moral subvertida que se aproveita de falhas do estado,ao difundir a insegurança e facilitar acidentes, vilipendia preceitos presentes no trânsito.
Dessarte, ante tanto o histórico comprometimento do fluxo em áreas negligenciadas, quanto a formação de uma mentalidade distorcida, urgem mecanismos em prol de mitigar a violência no trânsito. Para isso, é fulcral que o Ministério do Desenvolvimento Regional, associado à Secretaria Especial da Cultura, suscite um trânsito seguro. Isso deve ocorrer por meio, além do incentivo à infraestrutura em áreas marginalizadas, pelo desenvolvimento de vias e da fiscalização, de debates, durante os horários de concessão gratuita, que abordem a conduta irreverente durante o tráfego, com o fito de promover um fluxo qualitativo. Assim, como propõe o MDR, a logística nas urbes tornar-se-á efetiva no Brasil.