Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 18/12/2020
O conceito de entropia da física mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das ciências da natureza, no que concerne à violência no trânsito brasileiro, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude da ineficiência da fiscalização de trânsito e da formação deficitária dos condutores de veículos automotivos.
Em primeira análise, segundo Claude Lévi-Strauss, importante filósofo francês, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Desse modo, é importante entender que desde os últimos 30 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de condutores aumentou consideravelmente e foi possível observar que o índice de violência de trânsito também teve um crescimento substancial. Nesse contexto, observa-se a elevação de práticas egoístas, imediatistas e irresponsáveis entre os condutores, um dos motivos para que isso aconteça é a formação deficitária dos motoristas, pois as instituições de formação propõe um ensino aligeirado, com o fito de lucrar na quantidade de condutores formados.
Além disso, as práticas citadas no parágrafo anterior encontram acolhida na legislação brasileira que é deficitária no que compete à fiscalização de trânsito, afinal, a multa por si só pode trazer prejuízos econômicos para o motorista, mas não garante uma alteração de práticas. Contudo, dado que a violência é um problema de ordem psicológica, a punição incutida na cobrança monetária pela infração não atua sobre a raiz do problema. Nesse cenário, sobram-se comentários do senso comum acerca das penalizações, mas não existe um projeto específico para tratar a violência de trânsito em sua origem. Tudo isso reforça uma prática punitivista, mas não garante uma melhora do comportamento social, o que faz com que a prática ainda seja persistente.
Diante dos fatos mencionados, torna-se imperativo que o Ministério Público e o DETRAN ajam sobre óbice. Portanto, o meio mais eficiente de lidar com o problema tratado em tela é uma reforma obrigatória das grades curriculares nas escolas de formação de condutores, aumentando as cargas horárias, com o fito de garantir mais conteúdos de ordem psicológica e social para o curso. Outra medida é fazer com que as multas sejam acompanhadas por cursos de reciclagem e aperfeiçoamento, pois, embora isso já exista, ainda não contém tópicos de ordem reflexiva para o combate à violência. Apenas assim será possível diminuir ou acabar com a problemática em questão.