Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 28/11/2020

A partir da segunda metade do século XX no Brasil, a taxa de veículos cresceu em passos largos. No entanto, junto a esse crescimento desenfreado, aumentou-se também os índices de violência (física, verbal e psicológica) no trânsito das grandes cidades. Isso deve-se, principalmente a precária mobilidade urbana presente no Brasil, mas também a  grande imprudência observada todos os dias que torna o deslocamento dos cidadão um verdadeiro desafio. Nessa perspectiva, só será possível obter um tráfego mais seguro se houver a colaboração de todos.

Em primeira análise, é válido ressaltar que o Brasil tem um dos piores trânsitos entre as maiores economias do mundo. Isso tem relação tanto ao inchaço urbano quanto ao precário investimento do Estado em transportes de massa . Nesse contexto, o  Governo de Juscelino Kubitscheck, na década de 50, teve grande causa nesse problema, uma vez que, no periodo de instalação das fábricas de automóveis no Brasil, a gestão  decidiu priorizar a malha rodoviária em detrimento aos outros modais de transporte. O resultado, até os dias de hoje, é um trânsito cada vez mais caótico e violento que vitima dezenas de milhares de pessoas todos os anos.

Além disso, a falta de cordialidade no trânsito é um fator para a crescente violência no tráfego. Nessa perspectiva, Sergio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil”,  apresenta o conceito do " Homem Cordial" detalhando como é o comportamento do povo brasileiro que ao mesmo tempo que é amável torna-se hostil e até violento. Esse pensamento  pode ser visto, igualmente,  no trânsito no qual a imprudência e o desrespeito fazem parte do dia-a-dia, prejudicando a convivência pacifica nesse ambiente. Verifica-se, então, que a precária mobilidade e a pouca empatia dos condutores são fatores para o aumento da violência no trânsito.

Para atenuar esse problema, é preciso que  o Governo Federal, por meio do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAM), promova parcerias com as prefeituras e orgãos de fiscalização municipal, intensificando a vigilância no trânsito, com aplicação de multas mais severas para motorista que cometem infrações e aulas de reciclagem, para os que reincidem na infração, com intuito de reeducar os condutores e mostrar como devem agir naquele ambiente, para que a haja uma boa convivência e redução gradual dos acidentes. Assim, o conceito do “Homem Cordial” terá um novo conceito diferente daquele descrito pelo autor.