Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 01/12/2020
Segundo o sociólogo Jean Paul Sartre, todas as manifestações de violência são fracassadas, tendo em vista que seus resultados nunca representam ganhos positivos individuais ou coletivos. Sob tal lógica, é possível afirmar que o projeto de sociedade urbana nacional não é bem-sucedido, uma vez que o Brasil é o quinto país mais violento no trânsito do mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Nesse cenário, é possível apontar a falta de consciência dos cidadãos acerca do convívio pacífico nas estradas e a negligência estatal como catalisadores desse contexto.
Inicialmente, é necessário pontuar que a irresponsabilidade de motoristas e pedestres corrobora a violência no trânsito, o que é reflexo da falta de consciência dos cidadãos acerca do convívio pacífico nas estradas. Isso é provado, uma vez que, de acordo com a Guarda Municipal de Itapetininga, 90% dos acidentes são ocasionados por imprudência humana. Nesse cenário, percebe-se a falta do que ,para o sociólogo Edgar Morin, é uma educação voltada para habilidades necessárias no meio coletivo, tendo em vista a ausência de debates acerca das normas de trânsito e sobre o respeito no volante em ambiente escolar, mesmo em um cenário de brutalidade semelhante às guerras.
Em sequência, é possível destacar que a negligência estatal vai ao encontro da violência no trânsito no Brasil, o que, segundo a perspectiva do filósofo Thomas Hobbes, viola o dever de estabelecer o bem-estar social dos órgãos públicos. Nesse aspecto, a pouca funcionalidade governamental é oriunda da falta de um trabalho de combate ao índice de mortalidade nas estradas a partir de um planejamento urbano que possua como alvo as estradas mais acidentadas, além da vigilância escassa dos motoristas e pedestres por parte de fiscais de trânsito. Esse cenário de abstinência pública favorece a proporção de 234 mortes por 100 mil veículos no Brasil, segundo o Denatran.
Portanto, para retificar o cenário em questão, algumas medidas devem ser tomadas pelo Estado. De primeira, o Ministério da Cidadania em parceria com o Ministério da Educação devem desenvolver um material simplificado e elucidativo, que deve ser abordado em sala de aula, acerca das normas de trânsito e hábitos de respeito nas estradas para alunos do ensino fundamental das escolas públicas e privadas. Dessa maneira, será possível a construção de uma consciência coletiva acerca de posturas que podem ser adotadas para contornar acidentes. Em sequência, o Ministério da Cidadania em parceria com a Câmara Municipal deve mapear as estradas mais acidentadas e com maior índice de infração às normas de trânsito para que, no primeiro caso, haja a restauração dessas estradas e, no segundo caso, haja a intensificação de vigilância por ficais de trânsito nesses pontos. Dessa forma, o Estado poderá melhorar o planejamento urbano atual, favorável ao cenário de violência.