Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 04/12/2020
A ética utilitarista do filósofo Jeremy Bentham preza por diminuir a dor e aumentar os níveis de satisfação do maior maior número de pessoas possível. A partir disso, pode-se dizer que as leis e códigos que regem a sociedade têm como objetivo a ação utilitária. Entretanto, o Brasil sofre com a violência no trânsito, o que demonstra um ataque ao direito constitucional à vida e à segurança. Dessa forma, para sanar tal problemática, cabe ressaltar a falta de respeito e empatia e os problemas de mobilidade urbana que assolam o país.
Em primeira análise, pode-se notar que a falta de respeito as leis e códigos de trânsito contribuem para o cenário de violência nesse meio. Diante disso, mesmo que o bom convívio social, a solidariedade e a cortesia sejam atitudes necessárias previstas nos Manuais de Trânsito do DETRAM - Departamento Estadual de Trânsito-, além de serem ensinadas durante os cursos teóricos para realização da Carteira de Habilitação, tal contexto não é observado na prática. Ou seja, nota-se uma quebra do princípio utilitário e uma falha grave no exercício da cidadania. Assim, torna-se necessário dar mais ênfase para o bom comportamento nas ruas.
Além disso, um outro fator agravante é a precária mobilidade urbana brasileira. Nesse sentido, o histórico de urbanização do país, iniciado no século XX, foi conduzido de modo rápido, tardio e desplanejado e afeta ainda hoje a qualidade do tráfego. Consequentemente, a falta de infraestrutura adequada, de planejamento urbano e de diversificação de transportes públicos são fatores que agravam a precariedade no trânsito e corroboram o aumento das taxas de violência e de acidentes. Com isso, fica evidente a necessidade de criar medidas que tornem a mobilidade mais eficiente.
Portanto, a violência no trânsito em debate no Brasil é uma problemática que deve ser sanada. Para isso, o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAM) deve, juntamente com o Ministério da Educação, criar projetos de veiculação midiática, por meio de campanhas de conscientização - além da melhor fiscalização e criação de penalidades rígidas para maus comportamentos no trânsito -, com o fito de zelar pelo respeito e empatia. Ademais, o Ministério da Infraestrutura deve investir em mobilidade urbana e incentivar os poderes municipais a melhorarem a qualidade das ruas com o intuito de torná-lo mais digno e menos suscetível a cenários de agressividade. Assim, o princípio da utilidade vigoraria de modo plena no Brasil em prol do bem-estar e satisfação dos cidadãos.