Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 03/01/2021
Na música “Caso comum de trânsito”, Belchior canta: “Meu melhor amigo foi atropelado voltando para casa, caso comum de trânsito”. Essa perspectiva retrata a realidade do país nesse aspecto, em que a violência viária ocorre tanto pela cultura da transgressão de regras quanto pela ineficiência estatal na formação relativa ao tráfego.
A princípio, a mentalidade coletiva nacional banaliza o cumprimento das leis. Tal conjuntura é explicitada no verso “Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”, da música “Que país é esse?”, do grupo Legião Urbana. Posto isso, ao relacionar com o cenário político nacional - Marcado por escândalos de corrupção que abalam a confiança popular no sistema legal, como o mensalão, no qual políticos venderam apoio em troca de propina, porém cumpriram penas leves, como o delator Roberto Jefferson - depreende-se que o comportamento refratário ante à legislação é reforçado pela descrença no cumprimento dela. Desse modo, os riscos no trânsito são potencializados.
Ademais, o Poder Público é relapso na formação cívica dos motoristas. Nesse sentido, é oportuno considerar a visão do filósofo Pitágoras, que afirma: “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”. Sob essa ótica, é crucial que a sociedade em geral - Haja vista que todos circulam em vias diversos tipos e maneiras - receba preparação adequada para tal. Entretanto, verifica-se o oposto, pois não há matéria no currículo escolar sobre o tema e os cursos de formação de condutores, em média, duram apenas 3 meses - um espaço de tempo útil para aprender sobre o básico de direção, porém escasso para o desenvolvimento da civilidade. Dado o exposto, há uma flagrante deficiência do Estado na promoção da compreensão da seguridade no trânsito.
Portanto, é fundamental superar a cultura da transgressão e a ineficiência dos órgãos públicos na conscientização. Para tanto, o Ministério da Educação, mediante estudo em parceria de seu corpo técnico com o Conselho Nacional de Trânsito, deve inserir na Base Nacional Comum Curricular uma disciplina voltada a esclarecer sobre a importância da razoabilidade e do respeito às regras de trânsito para garantir a segurança de todos, a qual deve ser ofertada do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, bem como matéria opcional no ensino superior. Desse modo, é possível enfrentar a violência nas vias.