Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 12/12/2020
A animação inglesa “Motor Mania” produzida em 1950 por Walt Disney, mostra a história de pessoas que mesmo com uma personalidade calma e cautelosa no cotidiano, ao entrarem no carro, são atingidas pelo “monstro do trânsito” e se tornam imprudentes e agressivas. O curta-metragem faz críticas de forma lúdica à violência presente no trânsito e mostra que o problema não é uma questão recente. Fora da ficção, a problemática do tráfego é uma realidade brasileira, e ela é causada em sua maioria pela imprudência dos motoristas, o que resulta em acidentes e uma maior taxa de mortalidade no país.
Primeiramente, é importante destacar a falta de cuidado dos motoristas no ambiente urbano. A vida corrida e a necessidade de cumprir horários cada vez mais complexos, geram uma ansiedade nos indivíduos, que se tornam condutores impulsivos e impacientes. De acordo com Friedrich Engels, o sistema capitalista contemporâneo faz com que o ser humano deixe de olhar para o seu semelhante para perseguir o próprio bem-estar, o que pode ser relacionado às demandas do trabalho e ao estilo de vida atual. Nessa lógica, nota-se que há um sentimento de urgência crescente na sociedade, que aumenta também a violência entre as pessoas.
Como consequência, há o aumento no número de acidentes nas estradas, o que prejudica tanto quem se encontra dentro dos veículos como os pedestres que estão ao redor. Nesse contexto, é possível citar uma pesquisa do Observatório Nacional de Segurança Viária, que mostra que em 2018, o Brasil teve 23,4 acidentes fatais para cada cem mil habitantes, e ainda de acordo com a mesma fonte, 90% dos acidentes são causados por falhas humanas. Assim, é visível que não há mudança no trânsito sem uma mudança nas atitudes das pessoas que fazem parte dele.
Logo, é necessário iniciar medidas para minimizar o problema supracitado. É preciso que o Poder Executivo, aliado ao Sistema Nacional de Trânsito, que fiscaliza o cumprimento de leis dos condutores, direcione parte dos gastos públicos para um programa de conscientização dos motoristas brasileiros, por meio de palestras obrigatórias que devem acontecer a cada dois anos para todos os cidadãos habilitados, com o objetivo de criar um senso de responsabilidade coletiva e provocar a interação entre os motoristas de cada região. Assim, é possível gerar um ambiente mais saudável no tráfego, e visualizar uma perspectiva de um trãnsito mais harmonioso no futuro do território nacional.