Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 16/12/2020
Disseminado na Inglaterra ainda no século XVII, o iluminismo apregoava o desenvolvimento da ciência racionalista como forma de progresso de uma nação. Contudo, hodiernamente, o alto índice de violência no transito tem impedido que a população brasileira alcance tal progresso, visto que, atualmente, as consequências desses atos tem colocado o Brasil no ranking entre os países mais violentos do mundo. Nesse sentido, pode-se analisar que tal problemática decorre da imprudência dos motoristas no trânsito bem como da negligência governamental.
Em uma primeira análise, faz-se necessário destacar a precipitação dos condutores como uma das maiores propulsoras no que diz respeito às tragédias observadas. Nesse sentido, o descumprimento de regras, principalmente em vias de grande movimentação, resultam em desastres – cita-se como exemplo o acidente automobilístico envolvendo o cantor sertanejo Cristiano Araújo, sua namorada e o motorista, que, não respeitando o limite de velocidade estabelecido pela via, teve como consequência um acidente trágico, ceifando a vida do cantor e da namorada. Embora esse fato seja de domínio público e tenha repercutido na mídia, fatos assim são recorrentes no cenário brasileiro e não possui a visibilidade necessária, mascarando um problema urgente e escancarando a levianidade dos condutores.
Ainda nesse sentido, sob a perspectiva de Norberto Bobbio, em sua obra “O Futuro da Democracia”, o filósofo pós-moderno atesta a existência de uma “Democracia Ideal” – a do plano constituinte – e a “Democracia Real”, a das promessas não cumpridas e a que ocorre na prática. Com isso, percebe-se a omissão estatal com os motoristas responsáveis e com a própria Constituição federal, a qual destaca como principal zelador da vida humana o Governo, através do Artigo 5º. Nesse interim, a ausência de medidas que punam os transgressores das leis impostas pelo CONTRAN, proporcionam aos motoristas imprudentes a sensação de que são livres para agirem conforme lhe convirem durante a sua circulação, causando adversidades e concretizando, de fato, a democracia caracterizada por Bobbio.
Sendo assim, diante dos fatos supracitados, faz-se mister a adoção de medidas que solucionem o impasse. Logo, cabe ao Ministério da Infraestrutura garantir o bom comportamento dos motoristas nas vias. Isso deve ser feito por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar a ampliação de radares nas principais vias do Brasil e a aplicação de multas para aqueles que ultrapassem a velocidade recomendada, a fim de garantir uma maior segurança no trânsito. Além disso, é de suma importância que o Estado invista em campanhas publicitárias que tenham por objetivo alertar os condutores sobre as consequências de atitudes impulsivas durante o seu deslocamento. Espera-se, com isso, diminuir bruscamente os índices de violência no trânsito brasileiro.