Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 27/12/2020
A Constituição brasileira, promulgada em 1988, promete, em seu artigo sexto, uma série de direitos sociais. Dentre eles, estão os direitos à igualdade e segurança, juntamente com todos os elementos que o permeiam. No entanto, apesar de tal garantia, o que se percebe, na sociedade brasileira atual, é a não aplicação desse direito na prática, visto que os dilemas relacionados aos conflitos no trânsito têm implicado diretamente na vida dos cidadãos, fazendo com que esse seja um problema que persiste sem solução à custa da falta de estrutura educacional e da sociedade inconsciente.
Deve-se pontuar, de início, a lacuna educacional presente no país, o que se caracteriza como um complexo catalisador do problema. Conforme o educador e filósofo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sobre isso, o autor afirma que a educação é um pilar indispensável na base da formação social, uma vez que ela tem a função de instruir os alunos sobre a maneira correta de se comportar no tráfego, bem como formar indivíduos aptos a respeitarem as leis de trânsito e, por consequência, evitar violência e acidentes, principalmente, de motociclistas. Logo, as instituições pedagógicas têm papel primordial, não somente no ensino de habilidades cognitivas, mas também na formação cidadã de indivíduos informados a respeito das leis no trânsito, visto que o desrespeito a tal fato é um agravo à sociedade e aos princípios constitucionais.
Ademais, a ausência de consciência social é, também, um fator relevante em relação à situação. Nessa lógica, o filósofo Karl Marx teceu diversas opiniões em suas obras sobre a atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Nessa perspectiva, quando se trata da imprudência dos motoristas ocorridas no trânsito, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, já que o Estado brasileiro não promove a conscientização social sobre os malefícios de se dirigir com o celular no volante, bem como a ausência do cinto de segurança. Consequentemente, observa-se inúmeros entraves desses atos, como a formação de cidadãos intolerantes e óbitos de pessoas inocentes, ferindo, assim, a cidadania de diversos indivíduos que sofrem cotidianamente por conta da irresponsabilidade de motoristas.
Portanto, é evidente que a falta de educação entre os motoristas no Brasil precisa ser resolvida. Dessa maneira, compete ao Ministério da Educação propor ao Congresso Nacional uma reforma escolar, por meio de um projeto educacional que transforme a percepção e o entendimento dos jovens sobre assuntos como as leis brasileiras e educação no trânsito. Tal reforma deve conter uma mudança na grade curricular, englobando matérias de cunho social como ética, respeito e cidadania, para preparar o aluno não somente para Universidade, mas também para vida em sociedade.