Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 19/12/2020
Na obra “Utopia”, do escritor e filósofo inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. Fora da ficção, no entanto, o que se observa na contemporaneidade brasileira é o oposto do que o autor apresenta, uma vez que a violência no trânsito exibe barreiras, as quais dificultam a concretização das ideias de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da precária educação no Brasil, quanto do defeituoso sistema de formação de condutores no país, tornando fundamental a discussão desses aspectos.
De início, vale pontuar que a educação é o principal fator no desenvolvimento de uma nação. Nesse sentido, levando em conta que o Brasil está entre os dez países na economia mundial, seria racional acreditar que o mesmo possui um sistema de ensino eficiente. Contudo, a realidade é o oposto e o resultado disso é refletido na violência no trânsito, haja vista que na maioria das escolas do país essa temática é pouco discutida pelos professores, formando indivíduos imprudentes e alienados sobre ela. A respeito disso, uma pesquisa realizada pela Guarda Municipal de Itapetininga revelou que 90% dos acidentes são causados apenas pela irresponsabilidade dos motoristas e pedestres. Desse modo, vê-se a deficiente educação do Brasil como perpetuadora do problema.
Faz-se mister, ainda, ressaltar que a problemática deriva, também, da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne ao desenvolvimento de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o filósofo ingês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, haja vista que o programa de formação de condutores, o qual é ministrado pelo Estado, mostra-se ineficiente no seu propósito, uma vez que o país se encontra em quinto lugar entre as nações recordistas em mortes no trânsito, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Assim, é imprescindível a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Portanto, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, instituir, na grade curricular das escolas do país, metodologias de ensino voltadas à instrução do comportamento no trânsito de forma ética e moral, com atividades que ratifiquem a importância da coletividade nas estradas, a fim de formar condutores responsáveis e conscientes. Ademais, com a mesma finalidade, o Estado, por intermédio de verbas governamentais, deve investir recursos no aprimoramento das instituições encarregadas na geração de motoristas, como o Departamento Estadual de Trânsito. Dessa forma, os impactos da violência no trânsito seriam, em médio e longo prazo, atenuados e a coletividade estaria um passo mais próxima da “Utopia” de Thomas More.