Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Com o significativo desenvolvimento econômico brasileiro nas últimas décadas, o acesso a produtos ampliou-se e trouxe ao cidadão maior poder e sensação de liberdade, representada principalmente pela compra do próprio carro. O sentimento é falso, já que o objeto tornou-se mais uma simples parte do exausto cotidiano. Pessoas soltam todo seu estresse e irresponsabilidade dentro de um automóvel e comprovam que o problema é mais profundo e que o Estado não está preparado para combater este mal.
O Brasil, conforme o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), soma 5 mortes por hora causadas pela violência no trânsito, e de 2011 a 2015 obteve em torno de 210 mil mortos. Os números são extremamente parecidos com os dados da violência pública, que somam, no mesmo período, 260 mil mortos. Mostrando que o caos no tráfego é uma questão social, visto que os Estados brasileiros mais violentos são os com maiores tribulações no sistema rodoviário.
A aproximação entre estes números expõe uma clássica situação em países subdesenvolvidos, a não conscientização, provinda da falta de acesso à educação. É evidente a responsabilidade do indivíduo, porém existem questões que são exteriores a ele, como a falta de infraestrutura e de preparo para resolucionar empecilhos, sejam psicológicos ou físicos. Isso também explica a falta de sucesso nas políticas distantes de um governo centralizado, que coibe a autonomia do poder local, mesmo com o último tendo maior familiaridade com a região e o problema.
Portanto, a resposta à violência não é simples, pois abrange problemas pessoais e de interesse público. O que o governo federal deve fazer é promover diretrizes nacionais que constituam o trânsito como um todo, porém deve permitir que os executivos estaduais e municipais tenham poder suficiente para alterar, à medida do necessário, tal constituição. Outra atuação de grande importância é a de ONGs e mídia, até porque estas atingem um maior contigente populacional e podem trabalhar na conscientização da sociedade civil.