Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Em consonância com o sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico que, para ser igualitário e coeso, depende das partes que o compõem. Sendo assim, no Brasil, com a vísivel problemática da violência no trânsito, vê-se falhas nesse funcionamento. Nesse contexto, faz-se necessário analisar e compreender as causas desse problema, como: a insuficiência legislativa e a educação lacunar.
Em primeiro plano, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicabilidade estejam entre as razões desse impasse. Segundo John Locke, filósofo contratualista, as leis fizeram-se para os homens e não para as leis, logo, ao ser criada uma lei, é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida das pessoas com sua aplicação. No entanto, não é a realidade encontrada no atual cenário brasileiro, ja que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 100 pessoas vão ao óbito por dia em todo o país em acidentes de trânsito, mesmo com a existência de leis e multas para esse fim. Desse modo, é percebível falhas no Sistema Legislativo brasileiro, como reflexo de um Poder Executivo falho.
Ademais, a lacuna educacional de trânsito é também uma forte contribuinte para a persistência de tal conjuntura. Nesse sentido, Kant - reconhecido pensado - afirma que o homem é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, é necessário responsabilizar os Centros de Formação de Condutores (CFC), pela falha na capacitação de muitos condutores, pois mesmo com a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, muitos desconhecem as leis e sua importância, para conduzir de modo seguro e responsável, agindo de forma imprudente, que resulta, conforme os dados da Guarda Municipal de Itapetinga, em 90% das mortes em acidentes. Nessa perspectiva, é conclusivo que há uma geração de condutores irresponsáveis em razão de uma lacunar capacitação.
Mediante os fatos, é preciso, portanto, que o Poder executivo seja mais rigoroso com o Poder Legislativo, através de maior fiscalização e aumento no valor das multas já existentes, a fim de fazer os condutores repensarem seus atos diante do volante e agirem de modo responsável. Além, de uma reformulação de aulas nos CFC’s, visando maior atenção à legislação nas vias, tornando-os mais prudentes e qualificados para conduzir nas vias respeitando a vida. Acredita-se que dessas formas, será possivel superar os entraves de violência no trânsito e manter o “corpo biológico” em perfeito funcionamento.