Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 20/02/2021

Mortes, incapacidades, traumatismo, perdas materiais: diversas são as consequências da violência no trânsito do Brasil contemporâneo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2019 o país era o 5° mais violento no trânsito no mundo. Os principais efeitos desse cenário, além de dor e sofrimento das vítimas, são sociais – vidas perdidas, traumas físicos e psicológicos - e econômicos – perda de cargas, danos a propriedade pública e privada. Assim, essa questão gera impactos negativos na sociedade brasileira que anseia por resoluções eficazes e humanitárias.

Convém ressaltar, a princípio, que a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou a década mundial da segurança viária (2010-2020) para que as nações se comprometessem em reduzir o número de mortes previsto para 2020 pela metade. Porém, no contexto nacional esse objetivo não foi alcançado. Isso se deu em função da imprudência dos condutores e pedestres que trafegam sem o uso correto dos equipamentos de segurança, descumprem a regulamentação de velocidade, atravessam em local proibido, desrespeitam a sinalização semafórica, entre outros. Além disso, as ações governamentais para fiscalizar e punir os infratores são ineficientes e descontínuas, com campanhas e atuações, em geral, focadas em alguns meses ou feriados específicos. Ademais, o traçado das vias brasileiras, normalmente não privilegia os mais vulneráveis, como pedestres e motociclistas.

As consequências sociais desse cenário abrangem no nível individual a vítima que padece com a dor e sofrimento do acidente, e incluem os impactos coletivos para a saúde pública no atendimento e tratamento desses indivíduos com traumas físicos e psicológicos, o que aumenta a pressão sobre o sistema público de saúde. Outrossim é o impacto na economia, segundo o IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – (2019), o Brasil gasta em média R$132 bilhões por ano com acidentes de trânsito. Isso devido aos custos associados às pessoas – atendimento hospitalar, remoção do corpo -, aos meios de transporte – perde de carga, danos materiais aos veículos, reposição dos veículos - e aos custos associados à via – danos a postes e defensas que proteção, por exemplo.

Depreende-se, portanto, que com o intuito de amenizar essa problemática, o Ministério da Infraestrutura, em conjunto com ONGs de educação e segurança viária, devem criar campanhas midiáticas – televisivas, digital e radiofônica – com o fito de estimular uma conduta mais consciente e prudente no trânsito. Outrossim, os governos federal, estaduais e municipais têm que aumentar o efetivo para fiscalizar e punir os infratores de forma efetiva e contínua ao longo do ano. Por fim, cabe às prefeituras implantar um traçado de vias privilegiando os vulneráveis em detrimento dos veículos. Dessa forma, irá diminuir os efeitos negativos gerados pela atual violência no trânsito brasileiro.