Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 31/03/2021

Segundo o filósofo Aristóteles “O homem difere-se dos demais animais pela sua racionalidade”. A partir dessa premissa, percebe-se que as violências no trânsito aproximam os motoristas absortos de animais irracionais. Nesse sentido, a imprudência e a falta de empatia dessas pessoas, aliadas à branda fiscalização estatal ao cumprimento das regras de trânsito, propulsionam a violência nesse espaço no Brasil. Desse modo, são prementes discussões acerca das implicações desse problema.

Em primeira instância, vale ressaltar que a prejudicada segurança no trânsito decorre da ausência de consideração pelo outro. Nessa perspectiva , o filósofo Émile Durkheim revela, em seu conceito de fato social, que as convenções sociais se impõem ao indivíduo de maneira indiferente à vontade dele, para que a ordem e o bem-estar coletivo sejam resguardados. Essa premissa, no entanto, é contraditada pelas ações de motoristas indiferentes, uma vez que eles insistem em transgredir normas e princípios básicos que reduzem os acidentes nesse ambiente. Assim, é evidenciado no país uma forte apatia social, catalisadora da transgressão da dignidade física dos cidadãos inocentes e dos próprios transgressores imprudentes.

Além disso, a proeminente ineficácia da fiscalização das regras de segurança no trânsito pelo Estado acentua tal problemática. Dito isso, em sua concepção de modernidade líquida, o sociólogo Zygmunt Bauman reflete no atual enfraquecimento das instituições estatais, de modo que os indivíduos passam a adquirir novas funções e responsabilidades. Sob esse prisma, o declínio do poder do Estado cria impasses para a validação das regras de segurança, posto que ele, ao cobrá-la, não tem a mesma força e muitos indivíduos não assumem suas responsabilidades sociais com a coletividade. Logo, é notório o comprometimento da qualidade de vida do cidadão brasileiro, o qual vive diante de dezenas de acidentes de trânsito diários, segundo dados do instituto Ipsos.

Depreende-se, portanto, que o enfraquecimento do poder de fiscalização estatal e a displicência de muitos condutores de veículos ratificam a persistência da violência nesse meio. Dessa maneira, é mandatória a intervenção do Ministério da Educação(MEC) na educação e na cultura brasileira. Tal ação deve ser realizada mediante a promoção de palestras e seminários informativos, em consórcio com a divulgação de campanhas denunciantes nos veículos de comunicação, a fim de que o brasileiro se conscientize a respeito do dever de cumprir demandas sociais. A partir de tal medida, em suma, será possível lograr a tão valorizada racionalidade aristotélica.