Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 31/03/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na sociedade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a hostilidade no trânsito brasileiro apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da imprudência dos motoristas, quanto da debilidade das escolas de capacitação dos condutores.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a irresponsabilidade no trânsito deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades na conscientização e punição adequadas, a negligência dos motoristas perpetrua uma taxa de mortalidade altíssimas, sendo que de acordo com Catarina Nanini - especialista em trânsito da Gm-,  9/10 dessas mortes poderiam ser evitados, por exemplo, usando o cinto de segurança.

Ademais, é fundamental apontar que a fragilidade do ensino nos centros de formação dos condutores agrava ainda mais a situação. Segundo John Degnbol-Martinussen - ex professor na Universidade de Roskilde - os fatores humanos são as causas mais impactantes e persistentes na ocorrência de acidentes. Ou seja, as persistências de acidentes decorrem do comportamento inadequado de condutores e pedestres. Diante de tal exposto torna-se evidente que a má preparação desses cidadãos - que na maioria das vezes não recebem toda qualificação necessária para lidar com os desafios nas rodovias - pode comprometer a segurança do trânsito e, pela falta de educação, preparo e respeito para com o próximo, culminar-se-á com episódios de agressão - seja física ou verbal - e acidentes que podem ser evitados. Logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Infraestrutura juntamente com o Ministério da Educação, por intermédio do Detran, deve promover uma série de palestras em escolas, que tenham como público-alvo os alunos do ensino médio. Essas palestram devem ser ministradas por especialistas em segurança no trânsito, essa ação deverá ser compartilhada na rede social dos Ministérios no formato de “live”, com o fito de trazer mais clareza e compreesão a respeito das leis de trânsito e as consequências de sua transgressão. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.