Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 16/04/2021

Segundo a primeira Lei de Newton, conhecida como “Princípio da Inércia”, a tendência de um corpo é permanecer em repouso quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da Física, é perceptível a mesma condição, no que concerne à persistência da violência no trânsito brasileiro, o qual segue sem uma força capaz de mitigá-lo. Nesse sentido, em virtude da imprudência dos condutores aliado à falta de infraestrutura das vias públicas impedem o combate dessa problemática. Desse modo, cabe discutir as causas e as repercussões dessa questão social, em nome de um futuro menos fatal.

A princípio, é fato que a falta de consciência e prudência dos motoristas agrava a violência no trânsito. Nesse contexto, consoante o poeta Drummond, “No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho.”. Tais versos ensejam uma reflexão: a escassez de cuidado com o próximo e a imprudência no movimento de veículos, configuram-se como uma “pedra” no caminho para um trânsito menos trágico e mais harmônico. Nesse viés, atitudes insensatas adotadas pelos condutores, como o uso do celular e álcool ao volante, dirigir sem cinto de segurança e o excesso de velocidade, podem ocasionar graves acidentes e mortes, além de gerar sequelas físicas e psicológicas tanto no condutor, quanto na vítima inocente. Posto isso, em razão do trauma pós acidentes, segundo a pesquisa da OMS, a maioria das pessoas desenvolvem fobias e ansiedade em relação ao trânsito.

Outrossim, a deficiente estrutura das vias públicas está diretamente atrelada a persistência da violência no trânsito. Sob esse prisma, o psicanalista Antonio Quiné, em seu livro “Um olhar a mais”, relata que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Analogamente, a violência no trânsito brasileiro reflete um olhar negligente do poder público frente às vias de circulação dos veículos, haja vista a precariedade das estradas, as falhas de sinalização e a falta de ciclovias, devido a carência de investimentos nesse setor. Nesse sentido, é inquestionável a influência de uma infraestrutura habilitada para um trânsito mais seguro e menos temeroso. Isso porque, conforme dados do Ibope Inteligência, os países que mais investem na organização das vias públicas possuem menores números de acidentes e mortes.

Infere-se, portanto, que a imprudência dos motoristas e a deficiente infraestrutura das vias de circulação, corroboram para a permanência da violência no trânsito brasileiro. Logo, é basilar que o Ministério da Segurança promova campanhas, mediante propagandas nos meios de comunicação, acerca da consciência e do cuidado que os condutores devem adotar no trânsito, com intuito de alertar os motoristas sobre a responsabilidade com a própria vida e com a do próximo. Destarte, essa ação pode tornar-se a “força” propulsora, retratada por Newton, para a resolução desse problema.