Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 20/05/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein produziu uma obra denominada “Cidadão de Papel”, na qual o autor define o termo como o indivíduo que, apesar de possuir direitos na legislação, não os vivencia devido à subtração destes pela esfera governamental. Nesse sentido, essa definição pode ser empregada em diversos contextos brasileiros, como a violência no trânsito do país, que põe em risco uma grande parcela da população. Diante disso, é imprescíndivel enunciar a deterioração da saúde mental dos transeuntes e o desrespeito pelas relações humanas como pilares fundamentais da chaga.

Em primeira análise, torna-se evidente o impacto do estresse na segurança nacional. Sob tal perspectiva, o filósofo Imannuel Kant enfatizou que ser ético é tomar ações que contribuem para a sustentabilidade social. Nessa lógica, o descontrole emocional de muitos motoristas perante infortúnios cotidianos -congestionamentos, vulnerabilidade ambiental e sonora-, vai contra a ética kantiana e promove à instabilidade no trânsito. Por consequência, todo esse estresse acumulado, muitas vezes, resulta em surtos emocionais violentos. Dessarte, discorrer acerca da saúde emocional dos motoristas é fundamental para gerar segurança.

Ademais, é cabível pontuar que o egoísmo corrobora a problemática. A esse respeito, é oportuno assinalar que, conforme o sociólogo Jürgen Habermas, o diálogo pode resolver crises sociais. Sob essa ótica, nota-se que com o aumento do individualismo, pequenos desentendimentos no trânsito evoluem para grandes tragédias. Fato este, ilustrado pela Organização Mundial da Saúde, que aponta a violência no trânsito como a terceira maior causa de mortes no mundo. Dessa forma, os cidadãos perdem gradativamente a capacidade de construir uma sociedade pacífica por meio do diálogo. Assim, é preciso que todos sejam obedecidos e avaliem o próprio comportamento, para que o Brasil não continue acumulando matado.

Infere-se, portanto, que essa vergonha nacional precisa ser solucionada. Logo, a mídia, por intermédio das grandes emissoras de televisão, irá levar a discussão acerca da violência no trânsito brasileiro aos representantes da Procuradoria-Geral da União. Essa medida ocorre pela definição de um projeto estatal, em parceria com as emissoras de televisão, com objetivo de mostrar como reais consequências do problema e apresentar uma visão crítica a respeito da falta de segurança. Em adição, os psicólogos dos postos de saúde regionais devem disponibilizar o atendimento à população, voltado ao controle automático, específico o respeito no trânsito. Feitos esses pontos, com a ética de Kant e com o diálogo de Habermas, uma sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.