Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 26/05/2021

O advento da roda e sua utilização para transportar seres humanos ocorreu a partir de 3.000 a.C. Desde então, os modelos de locomoção foram aprimorados e transformados nos sinônimos de tecnologia e velocidade que conhecemos atualmente. No entanto, a relação interpessoal dos indivíduos parece estar estagnada, pois ainda são observados frequentes episódios de brigas e mortes no trânsito, cujos causadores são associados ao estado mais primitivo do homem, constrastando com a evolução dos automóveis. A sobrecarga emocional, presente em muitos condutores de veículos, toma o espaço urbano como vávula de escape, principalmente os incidentes no trânsito. Assim como, a ausência de monitoramento psicológico dos motoristas perpetua um trágico cenário de violência no universo automobilístico.

Em primeiro plano, o desequilíbrio emocional dos brasileiros figura a principal causa de violência no trânsito, pois a região de tráfego tornou-se um meio perigoso e equivocado de extravasar o acúmulo de estresse do cotidiano. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas ansiosas no mundo e o quinto em casos de depressão. A sobrecarga mental corrobora um estado de maior reatividade aos indivíduos desprovidos de acompanhamento clínico, de forma que suas atitudes ficam mais exacerbadas em um momento de tensão, inclinadas à impulsividade.

Além disso, a falta de monitoramento dos perfis psicológicos brasileiros, os mesmos que guiam automóveis todos os dias, dificulta a identificação precoce de comportamentos problemáticos no trânsito. Uma pesquisa realizada pelo Ministério dos Transportes, em 2018, constatou que mais de 23 mil mortes nas estradas foram causadas por imprudência e desrespeito às regras de trânsito. Por isso, a avaliação periódica sobre a saúde mental dos motoristas representaria a salvação de vidas, se colocada em prática.

Nesse sentido, o Ministério da Saúde, por meio de um programa de prevenção de acidentes automobilísticos, deveria promover, semestralmente, avaliações psicológicas dos condutores brasileiros, a fim de produzir maior controle e orientação sobre como devem ser gerenciadas as emoções desses indivíduos enquanto guiam seus veículos. Ademais, essas avaliações poderiam até acarretar a suspensão do direito de dirgir aos que não cumprissem essa nova medida de segurança.

Dessa forma, o Brasil seguirá o caminho da paz e do respeito entre os seus motoristas.