Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 04/06/2021
O Futurismo é uma vanguarda europeia encabeçada, ainda no século XX, pelo artista Filippo Marinetti sendo caracterizada pela exaltação da indústria, da tecnologia e da velocidade. Ao transcorrer os séculos, hoje, a modernidade gera automóveis mais rápidos, como idealizado por Marinetti, porém não garante a segurança dos condutores. A partir desse contexto, é fundamental discutir os principais motivadores para a violência no trânsito no Brasil.
Para entender os acidentes no trânsito, deve-se perceber que a falta de planejamento urbano compromete a infraestrutura das vias nas cidades. Isso acontece, sem dúvida, porque o crescimento das cidades tentou acompanhar somente o desenvolvimento econômico sem que houvesse uma prévia organização para dispor a população pelas áreas urbanas de modo a proporcionar uma boa qualidade de vida, principalmente, segurança. À luz do pensamento da urbanista Ermínia Maricato, para quem “as cidades brasileiras são verdadeiras bombas-relógios”, entende-se que as regiões metropolitanas deixaram de ser locais de convivência e socialização, pois apresentam péssima mobilidade urbana e, ainda, acentuada violência no trânsito. Dessa maneira, os cidadãos são levados a um estado de descredibilidade em relação ao Estado, já que esse não é capaz de organizar os espaços urbanos muito menos de garantir segurança, apesar de ser um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988.
Convém pontuar, ainda, que o desgaste das vias urbanas impacta negativamente na condução dos veículos automobilísticos. Tal questão ocorre, muitas vezes, pois a preocupação do governo está focada nos interesses de uma pequena elite dominante (em prol de um retorno lucrativo) e não na garantia do bem-estar coletivo, como consequência a administração das vias públicas é negligenciada a ponto de reverberar no alto grau de violência nas estradas brasileiras. Prova disso, é que o país possui sete cidades entre as 100 avaliadas com o pior trânsito do globo, de acordo com o Traffic Index (2019), assim, a maior parte da populção, que precisa usar as vias públicas fica submetida aos descasos governamentais, os quais contribuem para os inúmeros acidentes automobilísticos.
Portanto, é necessário que o Pode Executivo Federal, mais especificamente o Ministério do Desenvolvimento Regional, viabilize melhores condições para a mobilidade urbana, a fim de diminuir a violência no trânsito. Essa ação pode ser feita por meio da criação de um Projeto Nacional - atuará nos 5570 municípios - que será responsável pelo planejmaneto da reforma do tráfego urbano, a qual deverá reestruturar as vias públicas, aumentar o policiamento e tornar mais eficiente a fiscalização do trânsito segundo os índices de violência de cada região. Afinal, é chegada a hora de o Futurismo ser algo do passado.