Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 01/09/2021
O Mito da Caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao debate sobre a violência no trânsito. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos: a inoperância estatal e o pensamento individualista. Em primeiro plano, é preciso atentar para a negligência governamental. De acordo com o filósofo Jean-Jacques Rousseau, o Estado responsabiliza-se por estabelecer condições básicas ao promover o bem-estar do âmbito populacional. No entanto, a ideia do intelectual não se aplica na realidade da nossa sociedade, visto que os órgãos responsáveis por punir infratores no trânsito estão agindo de forma branda enquanto poderiam estar punindo com mais veemência os infratores, para que os outros indivíduos sintam-se desencorajados a cometer atos agressivos no trânsito, o que, consequentemente, diminuiria o número de infrações no em vias públicas que envolvam agressões física ou verbais. Logo, percebe-se que se a omissão estatal prevalecer, o problema permanecerá frequente na sociedade brasileira.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é o pensamento não empático. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange a violência no trânsito, tendo em vista parte da população age com um comportamento extremamente rude e desrespeitoso com o próximo, não levando em consideração que comportamentos que incluem a falta de consciencia coletiva, como proferir xingamentos, buzinar de forma excessiva e discutir com pedestres ou outros motoristas, causam o desvio de atenção e podem causar acidentes fatais. Diante disso, o pensamento individualista precisa ser combatido para que o problema possa ser anulado.
Portanto, é evidente que medidas precisam ser tomadas para evitar um cenário de caos no trânsito brasileiro. Para tanto, o Poder Legislativo deve criar leis que punam com mais vigor pessoas que cometam crimes de violência ao se locomover no trânsito, as punições podem ocorrer através de multas ou até mesmo a prisão do agressor. Ademais, as mídias, grandes difusoras de informação e principais veículos formadores de opinião, como a televisão e as redes sociais, devem propagar campanhas que retratam a importância da empatia ao dirigir com o intuito de acabar com o individualismo. Somente assim, a sociedade estará liberta para contemplar a realidade fora da caverna, como na alegoria de Platão.