Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 03/09/2021

De acordo com o sociólogo Émille Durkheim, a sociedade é um organismo biológico cuja parte em disfunção ocasiona o colapso de todo o sistema. Sob tal ótica, a violência de trânsito, sobretudo no Brasil atual, representa um pilar defeituoso do corpo social com potencial de trazer caos ao país, o que configura um grave problema. Isso se explica não só pela péssima infraestrutura de transportes, mas também pela irresponsabilidade de muitos condutores. Assim, é fulcral o debate acerca desses fatores.

A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da infraestrutura precária do trânsito brasileiro. Segundo dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Brasil é o que investe menos em infraestrutura entre 21 países da América do Sul e do Caribe. Nesse sentido, com a falta de verba para manter as rodovias em bom estado e para diversificar a matriz de transportes, aumenta-se a concentração de carros nas ruas, causando engarrafamentos, acidentes e elevando o estresse dos indivíduos. Consequentemente, cria-se o ambiente ideal para a violência ocorrer, uma vez que, estressados com as condições de trânsito, muitos entram em brigas desnecessárias por coisas banais, as quais podem resultar, até mesmo, em mortes.

Outrossim, a discussão em curso deriva ainda da irresponsabilidade de condutores. Isso ocorre porque, mediante a impunidade oferecida pela legislação brasileira, diversos motoristas se sentem seguros para dirigir sob efeito do álcool, desrespeitar as regras de trânsito, os semáforos e as placas, o que eleva os índices de acidentes e violência no meio. Prova disso são os casos de inúmeros famosos, como o cantor Alexandre Pires e o jogador Edmundo, os quais foram responsáveis pela morte de duas pessoas por atropelamento e não sofreram as punições adequadas. Logo, esse quadro de inoperância das esferas de poder exemplifica, na prática, a existência de instituições zumbis, descritas por Zigmunt Bauman, as quais existem, mas não desempenham de fato o seu papel.

Portanto, de modo a mitigar os efeitos da violência no trânsito brasileiro, medidas exequíveis devem ser tomadas por órgãos de autoridade. Primeiramente, cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com o Ministério da Economia, destinar mais verba para o setor de transportes. Isso deve ser feito por meio do investimento na manutenção do bom estado das rodovias e na diversificação da matriz dessa área - com a construção de mais ciclovias e o aprimoramento do transporte público - a fim de que o estresse ao dirigir seja reduzido e os índices de violência diminuam. Ademais, compete ao Ministério de Transportes, em ação conjunta com o poder judiciário e legislativo, idealizar e aprovar leis mais severas no trânsito, as quais devem punir de forma drástica, com penas e multas elevadas, aqueles que desrespeitarem as regras de condução.