Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 03/09/2021
A Constituição Federal do Brasil prevê, no Artigo 6°, a segurança como um direito social, sendo, assim, crucial para o bem-estar da população. No entanto, tal conjuntura fica restrita à lei, pois, no trânsito, a violência está cada vez mais evidente. Diante disso, pode-se afirmar que essa situação é decorrente do individualismo da sociedade moderna e do estresse do cotidiano.
Em primeiro plano, é importante destacar que o bom funcionamento do trânsito depende da cooperação entre os usuários, sejam motoristas, pedestres ou motociclistas, uma vez que compartilham o espaço. Entretanto, como afirma o sociólogo positivista Émile Durkheim, a sociedade atual é altamente individualista e, consequentemente, possui baixa consciência coletiva, que é necessária para um bom convívio nas vias públicas e no trânsito. Esse cenário favorece o que ele chama de Anomia Social, definição de crise e caos. Tal realidade pode ser observada no aumento da violência no trânsito, resultado de uma sociedade caótica com uma inflada consiência individual.
Outrossim, o estresse do cotidiano corrobora, também, com o problema, visto que, na modernidade, a vida das pessoas é muito corrida e repleta de pressão, seja no trabalho ou vida pessoal, Essa circunstância gera uma sociedade mais impaciente, intolerante e mentalmente fragilizada. Desse modo, problemas que deveriam ser triviais, como uma fechada no trânsito, tornam-se sérios e culminam em violência e, em alguns casos, morte. Um exemplo desse fato é o ocorrido em uma região do Distrito Federal no mês de agosto desse ano, em que houve um atropelamento motivado por uma briga no trânsito.
Face ao exposto, é notório que a violência no trânsito é um grave problema e que prejudica o bem-estar social. Portanto, cabe ao Estado, por meio do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e do Poder Legislativo, alterar o Código de Trânsito Brasileiro, adicionando uma lei que preveja uma avaliação psicológica periódica de todos os condutores, com a aplicação do exame psicotécnico, que, atualmente, só é feito no processo para obter a primeira Carteira Nacional de Habilitação, e com a realização de consultas com psicólogos. A fim de identificar condutores que não estejam psicologicamente aptos e que representam risco à população. Pois, dessa forma, o direito de todos à segurança será garantido no trânsito.