Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 16/09/2021

No século XVIII, a Revolução Industrial inaugurou uma das maiores conquistas da humanidade: usar a tecnologia para facilitar a vida do homem. No entanto, no século XXI, essa ideologia se ausenta no Brasil, uma vez que o país enfrenta diariamente a violência no trânsito, o qual deveria, no papel, tornar a locomoção mais acessível. Desse modo, é de suma importância analisar as causas e as consequências dessa realidade: o processo de formação rodoviário brasileiro e a diminuição da expectativa de vida.

De início, a causa primordial da violência no meio de transporte urbano no Brasil se dá por uma decisão política tomada em 1951: o Plano de Metas. Acerca disso, Juscelino Kubitschek, durante a presidência, investiu, de maneira drástica, no setor rodoviário do país; todavia, ignorou as outras modalidades de transporte, a exemplo do setor ferroviário e do setor aéreo. Nesse viés, o planejamento estrutural do século XX obrigou os brasileiros a se locomoveram, na maior parte do tempo, com carros e com motos, o que exacerba o congestionamento nas cidades e, consequentemente, colabora com o aumento no número de acidentes, já que a desorganização e a falta de opções de transporte prevalecem na Nação Verde e Amarela. Logo, enquanto não houver investimentos na intermodalidade locomotiva, a violência no trânsito será predominante na realidade dos cidadãos.

Ademais, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE -, afirma que a taxa de mortalidade, nos últimos 15 anos, aumentou significativamente, dado que os acidentes de carro e os acidentes de moto, cresceram, respectivamente, 58% e 846% nesse intervalo de tempo. Nesse prisma analítico, infere-se que as mudanças provenientes da Revolução Industrial não foram apenas benéficas para a sociedade, haja vista que a tecnologia, como os automóveis, prometeu uma melhora na qualidade de vida da população; entretanto, o efeito colateral foi muito severo, pois o despreparo do homem ao lidar com essa herança tecnológica está matando cada vez mais brasileiros. Assim, é inaceitável que a violência no trânsito se mantenha em constante crescimento na contemporaneidade, visto que diminui a expectativa de vida nacional e fere o principal direito constitucional da população: o direito à vida.

Portanto, para que o número de acidentes e a quantidade de mortes no trânsito deixem de ser uma realidade na sociedade brasileira, o Estado, por meio da aplicação de capital, deve investir no transporte intermodal, como por exemplo no setor ferroviário e no setor aéreo, posto que evita o congestionamento no trânsito e diminui as chances de ocorrer algum acidente no local. Essa iniciativa teria a finalidade de atenuar a violência no trânsito e, concomitantemente, aumentar a expectativa de vida dos pedestres e dos motoristas. Feito isso, a tecnologia herdada do século XVIII deixará de ser, em breve, um perigo na vida dos brasileiros.