Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 23/09/2021

Durante o governo de Juscelino Kubitschek o Brasil passou por uma grande mudança na forma de se locomover, com a construção de estradas cruzando cidades e estados o número de carros aumentou e os brasileiros começaram a experimentar a vida no trânsito. Assim, um novo modo de interação social apareceu, o diálogo e a convivência no trânsito. Contudo, devido ao estresse do mundo contemporâneo e a banalização do mal, essa interação, em alguns momentos, se torna violência.

A princípio, é imperioso destacar que a sociedade hodierna se encontra, majoritariamente, em situações de estresse, o que potencializa a violência, principalmente no ambiente desgastante do trânsito. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, a humanidade atual possui relações líquidas, as quais são marcadas pela superficialidade e a busca por emoções momentâneas. Dessa forma, esses indivíduos, como afirma o filósofo, são mais suscetíveis a reagir de forma impulsiva, devido à superficialidade da forma como eles interagem socialmente, o que em conjunto com o estresse da contemporaneidade, contribui para a violência no trânsito.

Ademais, a história da humanidade é marcada por diversas ações más e ruins, que, devido a recorrência delas, foram se tornando algo comum e banal para a sociedade. Sob tal ótica, a filósofa Hannah Arendt criou o conceito de banalidade do mal, termo que se trata da normalização das ações ruins e desvalorização das ações boas. Logo, a violência no trânsito também se enquadra no conceito da Hannah, uma vez que a ação de agredir verbalmente e fisicamente outros indivíduos, em um cenário de discussão de trânsito, virou algo comum. Dessa forma, essas ações são vistas como recorrentes e banais, o que torna a violência nesses contextos mais suscetível.

Portanto, cabe ao Estado tomar atitudes para acabar com a problemática. Dessa maneira, o Governo Federal, por intermédio do Departamento Nacional de Trânsito, deve implementar formas de lidar com o estresse no trânsito nas autoescolas. Com isso, será incluído, como matéria obrigatória na formação dos motoristas, aulas de relaxamento e auto meditação, as quais serão conduzidas por profissionais da área. Desse modo, os novos condutores saberão como lidar com seus sentimentos e a evitarem maiores conflitos, o que será um grande avanço para o fim da violência no trânsito no Brasil.