Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 02/10/2021
A série “Designated Survivor”, exibida pela Netflix, retrata a cruel morte de Alex Kirkman, primeira-dama dos Estados Unidos, após um motorista ultrapassar o sinal vermelho e colidir em seu carro. Fora da ficção, cenas como a da obra são frequentes no Brasil, haja vista a preocupante violência no trânsito, fazendo com que o país ocupe as primeiras posições relacionadas à insegurança nas vias públicas. Nesse viés, com o intuito de amenizar tal conjuntura nefasta, convém analisar a inoperância governamental e a cultura de aclamação pelos automóveis.
À vista disso, insta salientar que o poder público corrobora a violência no trânsito por causa da sua omissão atrelada à falta de fiscalização. De acordo com o filósofo John Locke, os indivíduos cedem sua confiança ao Estado, o qual, por outro lado, deve garantir os direitos básicos aos cidadãos. Todavia, a ideia do contratualista, infelizmente, vai de encontro à atual conjuntura tupiniquim, uma vez que, embora a Constituição assegure o direito à vida como benefício primordial, as autoridades se mostram negligentes ao não instaurarem medidas eficazes contra as imprudências dos motoristas, como a ampliação do número de radares e de pontos de apoio para as polícias rodoviárias, o que pode diminuir a velocidade dos veículos e, com efeito, o número de acidentes. Dessa forma, enquanto as ações preventivas do governo forem ausentes, o “Contrato Social” defendido por Locke será dilacerado em virtude da inaplicabilidade da segurança dos sujeitos.
Cabe destacar, outrossim, o incentivo ao uso do carro sob uma perspectiva histórica. A esse respeito, o presidente Juscelino Kubitscheck, na década de 1950, querendo promover a movimentação da economia, incentivou o rodoviarismo a partir, principalmente, da instaução de indústrias automotivas. Contudo, a política implementada visando ao equilíbrio financeiro da nação representa, hoje, um cenário preocupante, pois os brasileiros, amantes do carro, pouco utilizam o transporte público, o que provoca acidentes violentos nas vias públicas devido à quantidade excessiva de carros, além da falta de atenção dos motoristas, como uso das setes e conduzir o veículo sem cinto de segurança. Assim, é preciso reverter essa cultura, com o objetivo de preservar o bem mais importante do indivíduo: a vida.
Portanto, a fim de possibilitar a queda de automóvies no país, cabe ao Denatran - Departamento Nacional de Trânsito - instruir os indivíduos a adotarem o uso de transportes públicos mediante campanhas veiculadas nas mídias sociais, como Instagram e Facebook. Além disso, as prefeituras devem instalar fiscalizações eletrônicas nas vias de maior circulação, com o fito de diminuir a velocidade dos condutores. Dessarte, espera-se propiciar um Brasil seguro no trânsito.