Violência nos estádios: como combater esse problema?
Enviada em 03/09/2019
Durante a Idade Média, os atos de violência estavam associados a imposição de poder. Os jogos entre gladiadores que lutavam no Coliseu, em Roma, sucediam ao público a afeição á brutalidade. Frustra constatar, que após séculos de avanço e proteção aos direitos humanos, ainda existem manifestações de violência no esporte, como nos estádios de futebol brasileiros. Tal problemática deriva, sobretudo, da mentalidade individualista e da omissão do poder público.
É relevante enfatizar, a princípio, que o individualismo é o principal responsável pelos casos de violência em estádios. Isso porque, conforme defendeu Zygmunt Bauman, sociólogo moderno, as relações interpessoais estão cada vez mais frágeis e superficiais. Em decorrência dessa fragilidade dos laços afetivos, muitos indivíduos passam a agir violentamente e proclamar discursos de ódio contra torcedores e jogadores adversários sem pensar nas consequências. Fato expresso pelo caso de “Aranha”, goleiro santista, que sofreu com a violência verbal ao ser chamado de macaco, em 2014.
Atrelado ao excessivo individualismo, a negligência do poder público também é responsável pela problemática em questão. Isso porque, o país gasta mais dinheiro com gramados e estética dos estádios do que com o programa de segurança. Em consequência da ineficaz segurança nesses locais, a identificação e punição dos agressores, muitas vezes, torna-se falível. Quando identificados, as advertências são leves, o que alimenta o sentimento de impunidade. Por esse motivo o Brasil lidera o racking de maior número de mortos em estádios de futebol.
Torna-se evidente, portanto, que a falta de empatia e a impunidade geram as manifestações de violência. Em razão disso, é necessário que as Escolas, em parceria com as famílias, invista em atividades e diálogos que ensinem e estimulem o pensamento ético e coletivo em todas as esferas sociais. Ademais, é pertinente que o Governo Estadual, em parceria com as prefeituras, destine verba para qualificação e aumento das guarnições responsáveis pela segurança, além de tornar mais rígidas e aplicáveis as punições a ofensores, a fim de acabar com a ideia de falta de punição. Assim, a violência poderá ficar para trás, marcada apenas nas lutas de Roma.