Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 19/09/2019

Espírito esportivo

A Declaração Universal dos Direitos Humanos -promulgada em 1948 pela ONU- assegura a todos os indivíduos o direito à paz e ao bem-estar social. Entretanto, os frequentes casos de violência nos estádios impedem que os brasileiros experimentem esse direito internacional na prática. Com efeito, sob pena de prejuízos ao Estado Democrático, é preciso a desconstrução da maldade humana e da competitividade hostil no Brasil.

Em primeiro plano, a filósofa Hannah Arendt desenvolveu o conceito da Banalidade do Mal, segundo o qual as atitudes cruéis se tornaram parte do convívio social e se banalizaram na sociedade. Ocorre que, no Brasil, a agressividade denunciada por Arendt ainda se perpetua no imaginário contemporâneo e fomenta os casos de violência esportiva em suas faces mais desumanas -como agressões físicas e discriminações raciais- o que fragiliza o bem-estar dos indivíduos e representa grave mazela social. Logo, não é razoável que, mesmo objetivando ser nação pós-moderna, os conflitos humanos descritos pela filosofa sejam tratados com indiferença.

De outra parte, é preciso que a competitividade hostil não seja mais realidade do contexto esportivo. Nesse sentido, Nelson Mandela -ex-presidente da África do Sul- decidiu sediar, em 1995, a Copa do Mundo de Rúgbi e promoveu a união social dentro dos estádios, onde brancos e negros ficaram de um mesmo lado com objetivos iguais. Todavia, embora o Brasil busque ser nação desenvolvida, ainda é incapaz de reproduzir os ideais propostos por Mandela, haja vista as histórias degradantes nas competições e a extrema insegurança, o que torna inviável o desenvolvimento nacional. Assim, enquanto as atitudes imorais forem a regra, as arenas brasileiras conviverão com este obstáculo: a violência no desporte.

Urge, portanto, que o direito á paz e ao bem-estar social sejam, de fato, assegurados na prática, como prevê a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Dessa forma, para combater os conflitos nos estádios, os indivíduos devem repudiar a maldade banalizada -de Arendt- presente nas arenas esportivas, como as injúrias raciais e os insultos verbais, por meio de debates nos núcleos sociais, a fim de construir relações de empatia e respeito, e minimizar a disputa exacerbada entre as torcidas organizadas. Ademais, o Ministério da Justiça, por sua vez, precisa promover políticas públicas nas competições -como o aumento da responsabilidade dos times com torcedores envolvidos em brigas- por intermédio da distribuição de agentes de segurança para fiscalização, a fim de desconstruir a competitividade hostil e garantir o espírito esportivo com dignidade a todos.