Violência nos estádios: como combater esse problema?
Enviada em 01/11/2019
Realidade distante
Em 1985, durante a final da Taça dos Campeões Europeus, na Bélgica, ocorreu a tragédia do Estádio de Heysel, que resultou em 38 mortes responsabilizadas pelos hooligans ingleses. Este episódio ficou conhecido como hooliganismo -fanatismo de torcedores com comportamentos destrutivos e desregrados- sendo a maior demonstração de violência nos esportes. Nesse sentido, apesar da mudança de século, o hooliganismo ainda é uma realidade na maioria dos estádios brasileiros, o que exige desconstrução da maldade humana e da impunidade.
Em primeiro plano, a violência dos estádios está relacionada com a maldade humana. Nesse viés, a filosofa Hannah Arendt afirma que as atitudes cruéis se tornaram parte do convívio social e se banalizaram na sociedade - conceito conhecido como Banalidade do Mal. Assim, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil é o recordista mundial de mortes relacionadas ao futebol, o que comprova a agressividade denunciada por Arendt. Logo, é preciso que os conflitos humanos descritos pela filósofa não sejam mais tratados com indiferença, uma vez que fomentam os casos de violência esportiva em suas faces mais desumanas e fragilizam o bem-estar dos indivíduos.
De outra parte, é preciso que a impunidade deixe de ser realidade no contexto esportivo. Nesse sentido, o Código Penal e o Estatuto do Torcedor determinam que os indivíduos que promoverem tumulto, praticarem ou incitarem a violência sejam condenados a multa e reclusão. Todavia, embora existam leis na quais busquem pôr fim às brigas nos estádios, essas medidas não se mostram eficazes quanto deveriam. Tal fato acontece porque após uma briga, o torcedor é levado a delegacia e, em seguida, é solto após o registro do boletim de ocorrência. Dessa forma, enquanto o imaginário contemporâneo de impunidade for a regra, as arenas brasileiras conviverão com este obstáculo: a violência.
Urge, portanto, que os conflitos nos estádios sejam combatidos. Para isso, os indivíduos devem repudiar a maldade banalizada, presente nas arenas esportivas -como os insultos verbas, as injúrias raciais e as mortes- por meio de debates nas mídias sociais, a fim de construir relações de empatia e de respeito. Por sua vez, o Ministério da Justiça deve acabar com a impunidade -de forma mais responsável e punitiva- por meio de delegacias especializadas, com o intuito de impedir o retorno dos torcedores envolvidos em bigas ao campeonatos. Essas iniciativas contribuem para que o hooliganismo seja realidade distante no Brasil.