Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 23/02/2020

“Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades. O tempo não para”. Os versos entoados pelo cantor e compositor Cazuza legitimam a invencibilidade do tempo e o modo como este determina as ações humanas que culminam por induzir em violências nos estádios. Não obstante, tal revés transcende a canção e demonstra-se presente no Brasil mediante atuações ineficazes no sistema legislativo e pela displicência da sociedade. Diante disso, é fundamental entender a problemática para atribuir-lhe formas de combate.

Em primeira análise, nota-se a insuficiência básica de projetos de leis que garantam a segurança dos torcedores, justificada pela ausência de investimentos públicos nas esferas de defesa. De acordo com o contratualista John Locke, o contrato social ocorre quando os indivíduos transferem seus direitos ao governo, com intuito de usufruir de uma vida confortável. No entanto, a prática deturpa a teoria, visto que a malha pública carece de policiais capacitados que assegurem a proteção dos adeptos que vão aos estádios em busca de entretenimento, porém colocam sua vida em risco devido à deficitária preservação. Dessa forma, verifica-se a fragilidade da jurisprudência no tocante às questões segurativas no território nacional.

Outro aspecto existente está na negligência da sociedade diante da carência de denúncias de agressões nos ambientes desportivos. Segundo Friedrich Nietzche, filósofo existencialista, a essência do comportamento humano puramente submisso é refletido sobre os valores da civilização. Isso implica dizer que, a coletividade, ao longo do tempo, mostra-se alienada quanto à exposição de conflitos entre torcidas organizadas, o que é confirmada por meio de constantes casos de ataques e morte que foram motivadas por desentendimentos entre vandálos fanáticos de times. Sendo assim, é mister promover uma reconfiguração na conduta da sociedade.

Infere-se, portanto, a necessidade de atenuar os desafios do combate à violência nos estádios do Brasil. Para tal, o Poder Legislativo, como instância suprema da elaboração de direitos, deve atuar em parceria com o Ministério de Segurança Pública em favor da população, a partir da incrementação de leis que propiciem a ampliação e capacitação de agentes policias no atendimento rápido e seguro de conflitos nos ambientes esportivos, por meio de treinamentos e simulações especializadas, com a finalidade de favorecer a adequada defesa dos adeptos. Em paralelo, cabe ao Ministério da Educação promover formações socioeducativas aos discentes, com o fito de gerar sujeitos mais tolerantes com a realidade. Sob esse viés, poderá ser possível limitar, efetivamente, a distopia referida na música de Cazuza.