Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 18/03/2020

Na Idade Média, os atos de violência eram associados a imposição do poder. Já Grécia antiga, esportes mais agressivos como a disputa entres gladiadores como um espetáculo para a população revela certo apreço à violência. Diante de tal perspectiva, observa-se que a violência, poder e esporte possuem uma relativa conexão. Atualmente, o cenário dos estádios brasileiros apresenta desvios de comportamentos de seus torcedores e isso causa alguns transtornos à população.

Primeiramente, é importante destacar que a agressão de torcidas ao time adversário representa uma desvalorização à vida, pois, seus atos já configuram desrespeito à dignidade e à liberdade de expressão. Ademais, episódios decorrentes de imensa falta de respeito podem resultar na morte de algum indivíduo. A título de exemplo, em 2017, um torcedor do Botafogo foi morto com um palito de churrasco por seu opositor. Dessa forma, é visível o descumprimento do artigo 11 da Constituição Federal Brasileira. Logo, o que era para ser um momento de competição saudável, torna-se um ambiente com risco de morte pelo fato de alguns torcedores terem aversão ao insucesso.

Ademais, o sentimento de não aceitação da derrota, após os jogos, causa desentendimentos e ocorrências de depredação pública. Tais atitudes advêm da extrema violência das torcidas organizadas e causam danos à toda população. Isso se deve ao fato dos espaços arruinados serem de utilidade a toda a comunidade, como metrôs e ônibus. Além disso, o comportamento de vandalismo é fruto do sentimento de impunidade e, de certa forma, uma demonstração de poder ao adversário. Devido os agressores se locomoverem em grupo, falta clareza para determinar o real responsável pelo movimento e os processos judiciários demoram em punir o malfeitor, incentivando, assim, atos dessa natureza.

Portanto, para resgatar o sentimento de união e irmandade, outrora visto no futebol, o governo brasileiro deve investir no setor de inteligência mediante a instalação de câmeras para o reconhecimento facial de infratores reincidentes, além do policiamento efetivo do local quando houver eventos esportivos, a fim de intimidar o vandalismo. Outrossim, os estádios devem requerer a identificação do torcedor, por meio da “marcação” de assento (tal qual é feitas em cinemas, por exemplo,) e documento de identificação na entrada do estabelecimento, com o objetivo final de encontrar o encarregado por distúrbios a ordem pública.