Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 04/05/2020

Na Idade Média, era comum assistir gladiadores lutando no Coliseu de Roma, dando ao pública afeição a tais hostilidades. De maneira análoga, esse cenário se repete nos estádios brasileiros, uma vez que são munidos de violência e discriminação, impulsionados ora pela teoria de banalização do mal, que estimula a  negligência dos órgãos públicos e das Comissões Organizadoras,  ora por a falta de profissionais da segurança nesses ambientes, aumentando a ocorrências de condutas infratoras.

A princípio, é válido salientar que os altos índices de violência são frutos de um contexto social reforçado pela banalização do mal. Tal tese, defendida pela filósofa Hannah Arendt, diz que uma sociedade anestesiada pela violência é incapaz de se chocar com ela, desse modo, sua banalização fica explícita na impunidade por parte do sistema judiciário, dado que, por serem recorrentes, se tornam “normal”, não havendo punições aos envolvidos. Entretanto, fatores como esses se tornam fomentadores de atos violentos e racistas, como, a título de exemplo, o jogador paulista Aranha, que foi alvo de críticas raciais, sendo chamado de “macaco” pelos torcedores.

Segundo o jornal El País, em 2017, foram registrados mais de 104 episódios violentos que levaram a óbito 11 torcedores, Essa notícia reflete, além da ideia de agressividade e superioridade enraizada na sociedade desde o período colonial, a falta de policiamento e segurança nos locais de esporte, já que, pelo grande contingente de espectadores e o número reduzido de policiais, se torna inviável o controle e a repressão desses atos. Logo, urge a necessidade da criação de polícias especializadas no controle dos âmbitos esportivos.

De acordo com o literato Aldous Huxley, “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. Por conseguinte, cabe à Secretaria Especializada do Esporte, em parceria com os estádios, o encaminhamento de uma lei que criminalize os atos de violência, determinando punições aos agressores e a seus times, com rebaixamentos de séries e perda de pontos nas colocações, com o fito de servir como exemplo e diminuir os vandalismos. Do mesmo modo, o Ministério da Justiça, em comum acordo com a Polícia Federal, criar uma polícia especializada que atue nos estádios, reprimindo agressões e assistindo a possíveis vítimas, aumentando a seguridade e a harmonização no ambiente. E assim, com medidas graduais e progressivas, diminuir as hostilidades e evitar que o Brasil se assemelhe à Roma Antiga.