Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 13/05/2020

Desde a idade média, os atos de violência eram associados a manifestações de imposição e poder. Diante deste cenário, os jogos entre os gladiadores que lutavam no coliseu, em Roma, sucediam ao público a afeição à brutalidade e justificativa baseada nos valores culturais. No entanto, após séculos de avanço e proteção aos direitos humanos, alguns indivíduos ainda refletem esses traços de competição no esporte, como fazem muitos torcedores em relação a violência nos estádios brasileiros de futebol.

Em primeiro lugar, a mídia impulsiona a valorização do sentimentalismo aos times e, até mesmo ajuda a converter a paixão pelo futebol em um verdadeiro estilo de vida. Nesse sentido, os torcedores adotam erroneamente a metáfora conceitual: “O futebol é guerra!” E encaram as partidas como um verdadeiro combate. Assim, cria-se um nacionalismo imperativo, ou seja, vê-se o time e a torcida adversária como inimigos em potencial, vide as torcidas organizadas. Essas, em algumas ocasiões, usam da agressividade para representar um tipo de defesa e supremacia de um time sobre o outro.

Ademais, a impunidade dessas ações hostis favorece o contínuo desrespeito àqueles que vão apenas para apreciar as partidas e, até mesmo, inverte a visão do esporte como método de inclusão social, defendida pelos próprios clubes. Exemplo é que o Brasil lidera o ranking entre os países que contém mais mortes em estádios de futebol, o que comprova que a segurança nesses lugares é ineficaz, visto que muitas vezes os agressores não são identificados ou recebem leves advertências, enquanto que para as vítimas que sofrem a violência física, verbal e/ou moral, os danos podem ser irreversíveis.

É imprescindível, portanto, a mudança na conduta daquela que usam a ferocidade para se imporem diante de outros times. Para isso, o Brasil poderia basear -se em países com referência em segurança nos estádios, como a Inglaterra, que sofreu ataques segregacionista e repressivos de grupos chamados “Holligans” e, para combatê-los, fez o cadastramento de torcedores, o uso de reflexões policiais e expulsão temporária aos que desviaram da pacificação entre os jogos. A mídia e os clubes podem promover campanhas ao público a favor da pacificação e combater as violências com punições, a fim de que o reflexo arcaico da Idade Média se converta em um coletivismo ético e que auxilie a integração social do esporte.