Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 21/05/2020

Historicamente o esporte mostra-se com importante elemento de identidade cultural de um povo. Na antiguidade, as olimpíadas na Grécia eram tão importantes que causavam tréguas em guerras entre atenienses e espartanos, entretanto, a violência não tinha pausa, uma vez que essa era a atração principal das competições. Ao longo dos anos, os atos violentos passaram a ser mal vistos e proibidos, tornando o esporte mais humano e pacífico. No entanto, mesmo com vários avanços, ainda hoje, observam-se atitudes desrespeitosas e desentendimentos no âmbito esportivo, como, por exemplo, nos estátios de futebol brasileiros, incidentes fruto de um estado de violência que precisa ser combatido.

A princípio, é mister salientar que o desrespeito gera atitudes agressivas entre tocidas. O trecho do hino nacional, entoado quando a seleção brasileira entra em campo - “Ó pátria amada/ idolatrada/ Salve! Salve!” - mostra a devoção da nação para com o futebol e a união da torcida pelo amor comum. Contudo, quando se trata de competições entre diferentes clubes, a rivalidade, muitas vezes, manifesta-se na forma de gressão física e verbal. Isso ocorre, dentre outros fatores, pela incapacidade de conhecer e respeitar a opção de outrem e pela ignorância em não perceber que âmbos os times são parte fundamentais da cultura da pátria amada brasileira.

Diante desse cenário, é importante ressaltar que o ambiente social influencia diretamente nas atitudes individuais. Segundo o sociólogo brasileiro Muniz Sodré, vive-se um ciclo vicioso de conflitos, em que sucessivos atos de fúria geram um estado de violência, sendo a recíproca verdadeira. Nesse contexto, observa-se o reflexo da sociedade brasileira nos estádios de futebol, onde os ânimos daqueles que são levados pelo fanatismo os fazem agir de forma agressiva e irracional. Desse modo, é notório que tal quetão precisa ser superada e a solução envolve setores da sociedade que vão além de um judiciário eficiente em punir agressores.

É necessário, portanto, que a raíz do desreipeito seja combatida e o estado de violência seja superado.  Dessa forma, o sistema educacional possui o papel principal na transformação social. Para isso, o Ministério da Educação e Cultura deve criar programas de combate a violência no esporte, os quais estimulem as escolas a promoverem discussões em salas de aulas sobre a problemática, por meio de rodas de conversas que ressaltem a importância do futebol para cultura brasileira e que evidenciem o valor do respeito. Tudo isso com finelidade de criar cidadãos mais tolerantes e pacificadore e que rompam com o ciclo vicioso da violência. Talvez assim, o estádio torne-se apenas um local de lazer e entretenimento, e o esporte tenha o poder de acabar com conflitos, semelhante as tréguas dadas por guerreiros na Grécia antiga.